# Revista Navalhista > Revista literária focada em literatura nacional contemporânea ## Posts - [GIOVANI MIGUEZ - Voz, Clara, Resistência [resenha]](https://revistanavalhista.com/giovani-miguez-voz-clara-resistencia-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista A igreja de Clara Nunes e as palavras de um devoto fiel A plaquete Voz, Clara, Resistência – Em Louvor à Guerreira do Brasil Mestiço, de Giovani Miguez, revisita a trajetória de Clara Nunes pelas vias poéticas e pessoais. Faz parte de uma série que toma como ponto de partida cantores populares do cancioneiro brasileiro da segunda metade do século passado, como Belchior e Rita Lee, para fazer uma análise que viaja do micro (o autor e os músicos sobre os quais versa) ao macro (o país e suas matizes).  Tomando de […] - [DIEGO BITTENCOURT - Erro de concordância [conto]](https://revistanavalhista.com/diego-bittencourt-erro-de-concordancia-conto/): Eu ainda sonho com Matilda. Matilda tem sete letras — todas líquidas o suficiente para afogar a alma. Linguista, escritora, música. Arte antes mesmo de ser feita. Mas ela não é só isso. É a palavra antes da palavra, a ideia antes do som, o abrir da boca antes de falar. Um poema nunca publicado do Caio Fernando de Abreu no qual eu me perco sem a intenção de me encontrar ou ser encontrado. Me desmontou pela primeira vez numa roda de leitura, discutindo as teorias da tradução poética e toda a versatilidade da língua portuguesa. O cabelo dourado ainda […] - [ALISSON DE SOUZA - Augustina [resenha]](https://revistanavalhista.com/alisson-de-souza-agustina-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista Os acertos e desacertos de uma beleza em rotações por minuto Em Augustina (Nauta, 2025), o autor, Alisson de Souza, logo na sua estreia ergue um romance que se impõe, antes de tudo, pela força da narrativa. Desde as primeiras linhas, há um magnetismo difícil de definir: a cadência fluida das frases, o modo como as cenas se articulam, a escolha precisa das palavras e um uso inteligente das ambiguidades promovem um chamado imediato à leitura. O leitor é lançado num recorte aparentemente simples da vida da protagonista, mas esse gesto […] - [VERÔNICA CORAL - Deixem as crianças em paz [crônica]](https://revistanavalhista.com/veronica-coral-deixem-as-criancas-em-paz-cronica/): Acordei às 5h40. Escolhi a roupa com certo desdém: queria um tubinho preto, uma saia longa ou talvez jeans com camisa. Mas, ao contrário disso, vesti a wide leg e uma blusa fresca de alças finas. Fui. Cheguei à escola sabendo que teria dez aulas seguidas. Exausta só de imaginar. Respirei. Com um humor genuíno tentei ficar na sala de estudo, mas o pensamento nas respostas das editoras me consumia. Saí do falatório apocalíptico e fui para o 6º ano. Estavam calmos, clandestinos, até que, do nada, soltaram um flerte com Ritler. Aquilo me desconcertou. Procurei ajuda e recebi desdém […] - [PEDRO MARTINS - Maria Milagre [conto]](https://revistanavalhista.com/pedro-martins-maria-milagre-conto/): O quarto era escuro, sem janelas, as paredes desbotadas, os caibros desgastados rangiam e as telhas soltas vazavam água das chuvas.Era um cômodo depois da cozinha. Três redes armadas. Uma para cada Maria. No canto, uma cômoda de madeira com os pés tortos onde se guardava roupa, papel, terço, broches e algumas moedas em uma sacola de couro. Maria Augusta ensinava a preparar doce de caju que a Senhora gostava de oferecer às visitas. Maria Milagre segurava com as pequenas mãos a colher de pau para mexer o doce que fumegava no tacho. Maria das Dores guardava pedaços de papel […] - [HERMES COÊLHO - Violado [resenha]](https://revistanavalhista.com/hermes-coelho-violado-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista Toda Nudez Será Revelada no Cerrado Sempre ouvir falar de uma máxima distante, meio trágica, meio irônica, de um velho chavão do cinema nacional: toda nudez será castigada. No filme de Arnaldo Jabor, a moral sufocante espreita os gestos, e até um simples abrir de porta se transforma em escândalo. Basta lembrar da cena em que o protagonista tenta esconder o próprio desejo atrás de um lençol mal segurado. Na poesia, porém, a nudez escapa dessa moral e vira uma chave de revelação. Podendo ser metáfora da verdade e da vulnerabilidade, […] - [NAVALHAR É PRECISO - ANDRÉ GIUSTI [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-andre-giusti-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA — Ao longo da trajetória de um escritor, cada gênero literário parece abrir uma porta diferente, algumas mais íntimas, outras mais expansivas, mas todas exigindo novas inspirações. Você, autor de muitos livros de contos e poesia, e agora lançando seu primeiro romance, Só Vale A Pena Se Houver Encanto (Caos & Letras, 2025) pode nos dizer qual é a grande diferença entre escrever narrativas breves e mergulhar no fôlego longo de um romance? ANDRÉ GIUSTI — É um pouco óbvio o que vou dizer, mas acho que essa diferenciação passa pelo lógico, ao menos e um primeiro momento. […] - [BRUNA PINHATI - Ateliê [conto]](https://revistanavalhista.com/bruna-pinhati-atelie-conto/): Ela demorou tanto para encontrar um canto que pudesse pagar no centro de São Paulo que não desistiria tão fácil assim. A pequena kitnet com nenhuma divisão de cômodos, além do banheiro, serviria como morada, descanso, local de trabalho e ateliê. Ela se dividiria entre as horas enfadonhas do ganha-pão como designer que já deu muito dinheiro e agora não dá mais e as telas que sonhava ver penduradas em galerias de prestígio pela cidade. Tentou transformar o local que caía aos pedaços em um pedaço todo seu, tirou o branco casca de ovo das paredes, comprou móveis de segunda […] - [GIOVANI MIGUEZ - ironia, rita, deboche [resenha]](https://revistanavalhista.com/giovani-miguez-ironia-rita-deboche-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista. Reza à Santa Rita de Sampa Uma possível para descrever a décima primeira plaquete de Giovani Miguez é “oferenda”. Isso porque ironia, rita, deboche (edição do autor, 2025) homenageia a padroeira do rock nacional, Rita Lee. A autoproclamada Santa Rita de Sampa dispensa apresentações já que, nas palavras de Miguez, foi a responsável por “naturalizar o rock, ensinando-o a falar português com inteligência e sem afetação”. Seguindo os passos dela, nesse trabalho o autor faz-se cronista despojado e comenta os principais álbuns da cantora, detendo-se em algumas das faixas que […] - [MARIAH TIJUCO - Cigarras [conto]](https://revistanavalhista.com/mariah-tijuco-cigarras-conto/): Às vezes sinto saudade sem saber de quem. É um vazio morno, como o de fim de tarde, quando o sol se despede atrás das montanhas e as cigarras cantam em coro. Nessas horas, penso no meu pai. Não tenho muitas histórias com ele, mas lembro do jeito como ele me olhava quando achava que eu não estava vendo. Ele sempre dizia que eu era “demais”. Mas dizia isso para as outras pessoas, não para mim. E isso me confundia. Ele cheirava a cigarro e tinta de jornal — um cheiro tão forte quanto sua presença em mim. Eu o […] - [MARÍLIA MANGUEIRA - Sobre cavalos, coragem ou crianças [conto]](https://revistanavalhista.com/marilia-mangueira-sobre-cavalos-coragem-ou-criancas-conto/): Eu e o meu irmão, quando éramos crianças, morávamos no Nordeste, numa cidadezinha do interior e adorávamos explorar a natureza. Numa tarde, em uma das nossas saídas, encontramos um paraíso no meio do mato, uma bela nascente de rochas de argila, com direito a areia branca, como as das praias. Ficamos encantados! E como o sol latejava sobre as nossas cabeças, mergulhamos de imediato. De repente, chegou ali um homem simples com um cavalo de cor castanho canela. O animal estava sem sela, usava apenas um cabresto e era conduzido em direção à nascente para beber água. Quando o cavalo […] - [DIOGO SANTIAGO - Concatenação [resenha]](https://revistanavalhista.com/diogo-santiago-concatenacao-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista Tudo junto e concatenado: entre o lado A e o lado B da vida Concatenação, de Diogo Santiago, é um livro que se pretende um enigma. O termo que intitula a obra sugere um gesto de encadeamento, que pode se referir a ideias, a frases e, por que não?, a mundos. A simples ligação entre partes, porém, é só o começo da construção complexa de um sistema de espelhos, praticamente um jogo de reversos que faz da narrativa uma experiência contínua. A obra organiza-se em duas partes, “Lado A” e “Lado B”, […] - [PAT ANDRADE - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/pat-andrade-3-poemas/): Ausência    na parede dos fundos a pantera negra me olha   desbotada e inexpressiva   tudo nesta casa parece mais antigo do que realmente é  o sofá de veludo a colcha pintada de onça os alguidares vazios as grades enferrujadas     a ausência de minha mãe torna tudo mais solitário ainda   não há sorrisos nos retratos o chão da casa está rachado vai nos engolindo devagar um a um   e os leões… esses não rugem mais     cheia   enquanto as águas subiam desespero e incredulidade angústia e incerteza nasciam nos olhos daquela gente simples   depois […] - [GABRIEL MARINHO - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/gabriel-marinho-3-poemas/): Rato   Veneno. Numa das pastas antigas do meu pai, desbotada e áspera ao toque, escondia-se – mesmo após o divórcio – uma antiga fotografia da minha mãe. Era uma adolescente, à época; olhos cor de grama. Feições distraídas. Estava grávida – de mim, imagino. Recolhi. Guardei-a na estante do quarto, dentro d’uma cestinha de madeira. Veneno. Madrugada. Um vulto caiu do telhado. Morreu no interior da cesta; apodreceu sobre a imagem. Encontrei-o na manhã seguinte. Um cheiro doce emanava do animal; corpo de pelagem cinza por onde uma mosca solitária desenhava seus rastros. Alguns riram – fingi rir. Desfizemo-nos […] - [ALEXANDRE FLEURY - Fico no que fica [conto]](https://revistanavalhista.com/alexandre-fleury-fico-no-que-fica-conto/): Salvador admira os amigos que dançam no centro da pista, envoltos em abraços, rindo alto, rodopiando. De fora, os movimentos parecem mais lentos, quase suspensos no ar — como quem assiste à vida em outro tempo. Cada um deles guarda um pedaço seu, sem saber que estão prestes a atravessar, com ele, um túnel escuro e sem volta. Mário se aproxima com seu sorriso arrebatador. — Faz uma semana que não te vejo, e vai ficar sentado com esse copo na mão? — Estou cansado. Prefiro te ver dançar. — Vou buscar uma bebida — e a próxima coreografia é […] - [RICARDO ESPOSTO - Caçadoras de narcisistas [resenha]](https://revistanavalhista.com/ricardo-esposto-cacadoras-de-narcisitas-resenha/): por Andreia Santos, escritora e colunista na Revista Navalhista A Anatomia da Fúria e a Metamorfose da Dor: Caçadoras de Narcisistas Caçadoras de Narcisistas, de Ricardo Augusto Esposto é uma obra que não oferece conforto, ela parte para o confronto mesmo, desbaratinando as ideias e deixando o leitor em suspeição entre o narcisista e a iluminação que é própria para desses seres e a vingança, que parte de um local longínquo do ser que foi atingindo, penetrando em todas as suas camadas e por isso busca sanar a dor. Na obra vemos isso, a força do amor que é vencida […] - [GILBERTO BELOTTI - A fome e o medo [conto]](https://revistanavalhista.com/gilberto-belotti-a-fome-e-o-medo-conto/): — O círculo luminoso do sol já estava escondido atrás dos prédios, mas sua luz permanecia iluminando a tarde e o calor parecia mais intenso agora.  —  O rapaz loiro puxou a cadeira e sentou-se ocupando uma das mesas do bar, colocou sua pasta na outra cadeira. Escolheu a mesa de sempre, do lado de fora do bar, na calçada. Uma vez por semana encontrava-se com um antigo amigo. Ele sempre chegava antes e gostava desses minutos de solidão. Pediu um chope e antes mesmo de ser servido já adiantava seus pensamentos, as contrariedades daquele dia, daquela semana toda, minutos […] - [HERMES COÊLHO - Nu [resenha]](https://revistanavalhista.com/hermes-coelho-nu-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista O lirismo em formação: o espelho da juventude poética Nos bastidores do mundo literário não é raro ouvir que poetas jovens são todos intensidade e pouca medida, no entanto é justamente isso que os salva. Haroldo de Campos dizia que “a poesia é a linguagem em estado de invenção”. Inventar o modo de sentir e dizer e é isso que torna um verso relevante, independentemente da idade de quem o escreve. O jovem poeta é aquele que ainda não se acostumou com o mundo, e essa estranheza é a fonte do […] - [NATHÁLIA GOUVEIA - Magnólia em gomos [resenha]](https://revistanavalhista.com/nathalia-gouveia-magnolia-em-gomos-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista. Insalubridade familiar em gomos suculentos  O termo “síndrome da boazinha”, popularizado pelo livro homônimo da psicoterapeuta estadunidense Beverly Engel, descreve aquela criança — na maioria das vezes uma menina — quieta, que “não dá trabalho” e torna-se uma adulta sem assertividade e sobrecarregada. Tendo esse tema em sua espinha dorsal, chega o livro de estreia de Nathália Gouveia, Magnólia em gomos (Nauta, 2025). Aos 27 anos, a protagonista da novela, Magnólia, mora com a família numa casa “no meio do nada”. A relação com o pai é distante. Com a […] - [NAVALHAR É PRECISO - CARVALRÔSS [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-carvalrros-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA — Vivemos em um tempo em que os símbolos digitais (likes, notificações, algoritmos, influenciadores, seguidores) acabam assumindo funções semelhantes às dos signos espirituais (bênçãos, sinos, karmas, sarcedotes, discípulos ). Mostrando como “peixes que seguem cobiçando píxeis” ilustra uma fé atrelada à visibilidade e ao algoritmo. Essa justaposição cria pontes inesperadas entre tecnologia e transcendência. E essa dualidade presente nos poemas do livro A Espiritualidade da Sobrevivência (Minimalismo, 2024) é bastante instigante, sobretudo nas analogias e metaforizações entre signos de figuras presentes em interações digitais e signos e figuras presentes em interações nas ideologias espirituais. Como você concebeu esse […] - [VITÓRIA BRAZ - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/vitoria-braz-3-poemas/): Troféu   Deve ser muito fácil a vida de quem só de encarrega em dar os parabéns O tapinha nas costas A falácia de dizer que foi sorte mas, Não que essa pessoa se importe Ela só quer fazer barulho, Tirar uma foto contigo e postar no status com a legenda: “esse é o meu orgulho”   Orgulho? Só de ouvir essa palavra me dá embrulho Afinal, se orgulha mesmo? Ou só quer mais um troféu para colocar na sua estante? Me polir, me exibir e vender a ideia de que esteve comigo desde o início Quando, na verdade, só […] - [RAPHAEL SOUZA SOARES - 6 poemas](https://revistanavalhista.com/raphael-souza-soares-6-poemas/): Prazer efêmero   As entrelinhas dos versos como uma reza degustada durante as noites solitárias.   Amargas almas enraizadas alimentando a angústia inexplicável. Sofrimento impalpável e silencioso, Tânatos à beira da cama, observa-me.   Eros, que estais pulsando continuamente, nossos encontros encaminham-me ao fim. Fazei de mim, enquanto vivo, movimento do prazer efêmero.     Doce abismo   Empurrou-me à solidão um minuto após nosso eterno. Fiquei em silêncio, respirando abismos, única forma de não demonstrar decepção.   A linguagem do gozo e suas efemeridades, as palavras deslizavam no meu pescoço, agora, sussurram minha morte: “Aproveite enquanto há tempo”.   […] - [GIOVANI MIGUEZ - Prosas miúdas, algumas mudas [resenha]](https://revistanavalhista.com/giovani-miguez-prosas-miudas-algumas-mudas-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista Entre cacos e frestas: a poética do provisório em Prosas miúdas, algumas mudas A plaquete ocupa um lugar curioso no universo da literatura. Ela sapateia entre o livro e o panfleto, nasce do desejo de publicar livremente, sem excessos, de lançar ao mundo o que não é um grande projeto, livre da opressiva obrigação de completude. Em suas páginas, o texto encontra o terreno para rumar mais livre e traçar sua trajetória em múltiplas formas, podendo andar, correr, correr rapidamente, alçar voo, se catapultar… A voz do autor, se assim for para […] - [EDSON BASILIO - Sonhei com Clarice [crônica]](https://revistanavalhista.com/edson-basilio-sonhei-com-clarice-cronica/): Acordei assustado de novo. Daquele jeito que a gente acorda quando sonha que está caindo de um prédio. O corpo deu um salto e caiu novamente na cama. Estava muito escuro, só um amarelado que vinha da luz do poste lá fora interrompia um pouco a escuridão. Olhei para o lado, no relógio já era madrugada. A manhã estava distante. Amanhã estava distante. Virei para um lado e para o outro da cama por incontáveis vezes, mas não consegui pegar no sono novamente. Fiquei pensando na vida, na passada e na presente. Pensei principalmente nela. Sim, nela! Sonhei com ela […] - [NAVALHAR É PRECISO - MATEUS MA'CH'ADÖ [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-mateus-machado-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA — Ao longo do livro O Evangelho Segundo as HQs (Mondru,2025), o leitor sente como se estivesse diante de fragmentos de uma bíblia paralela, feita de quadrinhos, mitos e restos de revelação. É um texto que brinca com o sagrado e o profano. Nos diga, podemos ler essa obra como um apócrifo literário que nos alerta sobre a repetição eterna das mesmas quedas humanas? MATEUS MA’CH’ADÖ — A Ideia era criar um texto apócrifo, baseado no Livro de Enoque, mas que estivesse conectado com os dias atuais e voltado para o futuro. Então, sim, trata-se de uma repetição, […] - [ANA FLÁVIA NEJAIM - Contos subterrâneos [resenha]](https://revistanavalhista.com/ana-flavia-nejaim-contos-subterraneos-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista. Dos subterrâneos do cotidiano: Quando vem à tona o disparate nosso de cada dia O que podem ter em comum um enlutado aliviado, uma colecionadora de bonecas (que antecipou a febre dos bebês reborn em pelo menos um ano), donas de casa exaustas, funcionários explorados por gerentes pretensiosos, casais em relacionamentos tóxicos, famílias “tradicionais”, uma mulher escravizada por padrões de beleza e um gato ciumento?  Esses e outros personagens fazem parte do elenco da primeira coletânea de contos da paulista Ana Flávia Nejaim, após sua estreia na literatura com o romance […] - [KÁTIA SURREAL - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/katia-surreal-3-poemas/): Migalhas   as palavras que te esfreguem os resíduos aonde chegamos   migalhas forram a mesa desta sala escampada os quadros a nos assombrar com seus rostos anoitecidos ainda vivos qual grão dos grãos partidos acumulam-se na úvula e válvula cardíaca   desmesuradas conjunturas sobejos de amar.     Polir   eu pulo pulo em mim pulo você pulo a cerca e não mais te vejo.     Rio   eu rio sem sorriso ou determinação só rio. Kátia Surreal, nascida em 13/7/1986, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), vive em Niterói (RJ). Formada em Letras (UFRJ e Uerj), […] - [NAVALHAR É PRECISO - NOMURA HONORATO [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-nomura-honorato-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA — Vamos começar dando uma geral no cenário literário. O Brasil muitas vezes não dá muito espaço para uma escrita introspectiva e simbólica. Como você percebe a recepção do público e do mercado diante de uma literatura como a sua? Conta pra gente sua experiência. NOMURA HONORATO — Obrigado por me receberem como entrevistado. Olha, o Brasil é um país que ama a pressa. O mercado quer livros que se expliquem sozinhos na vitrine, que sejam lidos de um fôlego, que confortem mais do que incomodem. Mas a minha literatura não é desse tipo: ela pede demora, pede […] - [WHISNER FRAGA - As fomes inaugurais [resenha]](https://revistanavalhista.com/whisner-fraga-as-fomes-inaugurais-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista. Poética da invisibilidade De acordo com levantamento recente da Ponte Jornalismo, há subnotificação dos casos de morte de pessoas em situação de rua em todo o Brasil.  Segundo o Censo de 2021 da cidade de São Paulo, só na capital paulista a população em vulnerabilidade aumentou 31% em comparação ao levantamento anterior, de 2019. A piora na situação econômica agravada pela pandemia de COVID-19 é apontada como uma das principais causas.  Porém, é notório que a invisibilização dessa parcela da sociedade começa ainda em vida, e esse é o eixo […] - [RAMON OLIVEIRA - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/ramon-oliveira-4-poemas/): CULPA Podia ter ajudadonão me faria falta,a escolha de não ajudar foi minha   era irrisória a quantiafoi tão cômodo não ajudar,agora é isso que me restaesse sentimento turvo   tentar não pensar nissome faz pensar ainda mais;a fome deve doer   nas margens da minha imperfeiçãodeixei meu lado mesquinho prevalecer,e agora como fico?na testa está escrito “não tenho senhor”.     O GATO VESGO Vive de abandono,se alimenta de rejeição,espera por afetoe recebe olhares de desprezo   sonha em ser gato de madamenão precisar caçar,a calçada a noite é muito friao incômodo é constante   os frios olhares de […] - [Fendas por onde a luz escapa: a multiplicidade e coesão de “Palavras são navalhas”](https://revistanavalhista.com/fendas-por-onde-a-luz-escapa-a-multiplicidade-e-coesao-de-palavras-sao-navalhas/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista. O rapaz latino-americano de Belchior é uma figura indelével da cultura do país. Como chegou a esse patamar? Bem, suas notas e frases, feitas cuidadosamente para parecerem sem cuidado, resumem bem: “Sons, palavras, são navalhas”, cantava o poeta de voz anasalada, “e eu não posso cantar como convém\ sem querer ferir ninguém.” O jovem sobralense, de um mosteiro no Ceará às paradas das mais tocadas, feriu, feriu e feriu até deixar sua marca. Tomando o verso de empréstimo, o livro Palavras são navalhas faz valer o mesmo canto do velho Belch. Não […] - [NAVALHAR É PRECISO - CASSIANO FIGUEIREDO [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-cassiano-figueiredo-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA – O seu livro Versos tecidos com fios d’água é uma obra que tem forte caráter performativo, como se os poemas fossem ritos, boris, banhos e oferendas. Podemos dizer que sua escrita é voltada para diluição de fronteiras entre poesia, artes visuais, espiritualidade e práticas do cotidiano propondo diálogos que emergem dessas práticas. Como foi construir essa jornada poética? CASSIANO FIGUEIREDO – Durante a feitura de Versos eu estive muito atento ao meu redor. Em 2023, eu trabalhava em Niterói, município do Rio Janeiro, e residia no Itanhangá, um bairro da cidade do Rio, onde ainda resido. Deslocar-me […] - [GIOVANI MIGUEZ - moringa, sutura, estrutura [resenha]](https://revistanavalhista.com/2335-2/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista O enigma do tripé: ponha poesia na sua moringa Desde a antiguidade, o ser humano buscou compreender a vida e o cosmos por meio de metáforas, conceitos e interrogações. Tales de Mileto, ao afirmar que a água era o princípio de todas as coisas, projetava na fluidez o mistério da origem. Platão, em sua filosofia, propôs que o mundo sensível era apenas sombra de um mundo ideal, tentando apreender o que estaria além da aparência. Já Heráclito, com sua visão do devir, via no movimento e na contradição a essência da […] - [ENZO PEIXOTO - "Declaro-me: o sopro das rosas" [resenha]](https://revistanavalhista.com/enzo-peixoto-declaro-me-o-sopro-das-rosas-resenha/): por Andreia Santos, escritora e colunista na Revista Navalhista (perfil completo) Um minimalismo estrondoso: Declaro-me: o sopro das rosas Intenso, delicado, profundo e sutil, como conseguiu ser tão paradoxal assim? O livro Declaro-me: O Sopro das Rosas de Enzo Peixoto é assim, uma obra surpreendente, pois sentimos que um fio, muito singular, atravessa a intensidade e delicadeza. Cada verso pulsa como se fosse o próprio batimento de quem escreve. As poesias contidas no livro fluem ritmadas, ora são silêncios que nos levam a lugares dentro de nós mesmos, ora gritam para sairmos e querermos mais, seja do mesmo ou de […] - [LETÍCIA TORRES - Cravo [resenha]](https://revistanavalhista.com/leticia-torres-cravo-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista. Preferências envolvem diversos fatores. Nosso histórico, o estado de espírito, a relação com o nosso entorno e tantas subjetividades contam para que algo nos afete. A partir delas, escolhemos um perfume favorito, somos cativados por determinada estética etc. Quando o assunto é gosto musical, costumo dizer que “algumas canções nos tocam e outras, não”. Dada a simbiose entre poesia e música, é compreensível que aconteça o mesmo ao lermos um poema.  Alguns fatos, porém, dão pouca margem à argumentação. A coletânea de poemas de Letícia Torres, Cravo (Selo doburro, 2021), […] - [FABYO GUERRA - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/fabyo-guerra-4-poemas/): MONOLITO   monolito centro infinito pelo que passa ímpeto (arrasa) pela frase que traça ao chegar   sobrepostos supostos sedimentos sentimentos dos mais fundos ficam mais sólidos solitários e sórdidos     OBRA DE MARTE   obra de marte dobram-se crisálidas soltas no ar… te deum beijo… sublimar-te… como a parte foice… e ficou a um vento à mercê da noite posto que não-te sim-to toca como abrigo cá como abrigo gota pinga e arde a face     LAPSOS DO TEMPO   como seda ao vento pétalas de orquídeas com matizes e aromas são o alvo agora de meu […] - [GIOVANI MIGUEZ - Raios, Raul, Relâmpagos [resenha]](https://revistanavalhista.com/giovani-miguez-raios-raul-relampagos-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Um pequeno crente do absurdo escuta Raul Raios, Raul, Relâmpagos: cartas a um poeta anárquico parte de um lugar pouco habitual no trato de figuras míticas como Raul Seixas. Em vez da biografia, da crítica musical ou da celebração saudosista, temos aqui cartas, numa homenagem epistolar-poética. Isso desloca o centro da fala, o que gera um resultado interessante. A obra não vai na vala de tentar explicar Raul, tampouco organizá-lo em alguma chave de leitura definitiva. A ela convém escutar. E, a partir dessa escuta, escrever. Dividida em doze cartas […] - [NAVALHAR É PRECISO - KAHEL SANTOS [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-kahel-santos-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA — O livro Feriado das Incertezas (e outras ponderações) está dividido em atos, como uma peça de teatro. No primeiro ato, o lirismo aparece embalado pela festa, mas ameaçado pela ressaca emocional. Existe alguma data que você transformaria em feriado pessoal? E como essa ideia dialoga com o primeiro ato do livro? KAHEL SANTOS — Acho que transformaria em feriado qualquer dia em que a vida tenha me surpreendido, não necessariamente por algo grandioso, mas por um detalhe mínimo que tenha me feito mudar de rota. Pode ser um domingo em que nada deu certo, mas que acabou […] - [NAVALHAR É PRECISO - TAMARA ISAAC [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-tamara-isaac-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA – Lançado pela Editora TAUP, com um projeto gráfico primoroso, “Não quero ser outra” é o mais recente trabalho de Tamara Isaac. Muitas coisas me chamaram atenção neste poemário. Comecemos pela dedicatória: “Para mim”. Quem leu o livro, entendeu as razões da dedicatória bastante incomum. Gostaria que começasse por aqui, justificando os motivos que levaram a essa dedicatória. TAMARA ISAAC – Honestamente, eu nem sei direito como responder essa pergunta! Acho que a forma mais simples de responder é: eu escrevo poesia para mim. É o espaço onde ninguém (e quero dizer ninguém mesmo) pode ditar o que […] - [ANDREIA SANTOS - As letras que deixei partir [resenha]](https://revistanavalhista.com/andreia-santos-as-letras-que-deixei-partir-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Cartas ao remetente: As letras que voltaram em forma de memória Há quem veja na vida apenas o correr dos dias, e há quem consiga perceber a beleza escondida nas coisas simples. “As letras que deixei partir” (M.inimalismos, 2025), livro da escritora Andreia Santos, pertence a esse segundo olhar: o que se demora nos detalhes, encontra encanto nos gestos cotidianos e transforma pequenas cenas em memórias que falam de afeto, perda e recomeço. Motivada pela partida do pai, a autora escreve memórias como forma de homenageá-lo e, ao mesmo […] - [RAMON FELIPE - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/ramon-felipe-4-poemas/):   Do livro Girassóis Fantasmas, Caravana Grupo Editorial, 2024         NOVAS CARTAS LUSO-BRASILEIRAS   (PARA ELIZIANE)   As palavras chegam de todos os lados. Algumas, de tão arrebatadoras, permanecem sublinhadas, circuladas, enraizadas nas costelas e no pacto com o que voa.   (Essa pausa é para Hilda Hilst)   Nada há de apagar as tuas digitais na Paris do século 21   Être bien dans sa peau   Sentir-se bem na própria pele é uma das coisas que aprendo observando tuas palavras, teus atos e tuas xícaras de café.   * Poema dedicado à Eliziane Ataliba, mestra […] - [LANNA ACOSTA - Psicografia ordinária [crônica]](https://revistanavalhista.com/lanna-acosta-psicografia-ordinaria-cronica/): Nunca saio ilesa dos encontros. Desde então, sinto-me afeiçoada ao fim do dia, de luz crepuscular. Atenua-me o humor estar comigo mesma, repleta de mim, em meio a minha natureza variante. Extenua-me qualquer esforço que extrapole minhas bordas; sou, senão outra, algo de mim como nunca antes fui. Me alivia saber que similares a este momento, já houve outros. O tempo presente perdura mais do que eu gostaria. Tenho suspeitas de que este modo refratário possa me acompanhar como numa nova pele, ou casca; é adorável e indigesto. Meus olhos reclamam excessos. Cada frase coesa pede outras tantas fora de […] - [GIOVANI MIGUEZ - aleluia, mateus, infinito [resenha]](https://revistanavalhista.com/giovani-miguez-aleluia-mateus-infinito-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Deixando a gira girar: ouvidos que escutam não envelhecem Em algumas culturas da África Ocidental, os anciãos, ao se reunirem, aguardavam longos minutos de silêncio após a última fala, como forma de respeito e assimilação. Sabiam que falar cedo demais era desonrar a palavra recebida pois cada fala carrega um tempo, um espírito, uma escuta. Esse gesto ancestral de atenção plena se faz presente na plaquete de Giovani Miguez, que escreveu após ouvir demoradamente, com reverência. A plaquete, “Aleluia, Mateus, Infinito” (Edição do autor, 2025), do poeta Giovani Miguez, […] - [RUAN VIEIRA - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/ruan-vieira-3-poemas-2/): Efeito Borboleta   Uma ave que cai ao tentar voar e sair do ninho Um vaga-lume que perde a luz na escuridão do caminho Um bebê que cai ao tentar andar sozinho Uma mãe que não dá a seu filho nem atenção nem carinho.   Eu sou o vento e a gravidade que derruba o passarinho Eu sou a escuridão no caminho Eu sou o chão onde cai o bebêzinho Eu sou o filho que não recebe nem atenção nem carinho.   Eu sou a ave que tenta voar e cai do ninho Sou o vaga-lume que perde a luz […] - [NÁRJILA F. - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/narjila-f-3-poemas/): Memórias   O teu presente que joguei fora As fotos que eu não queria rever A blusa vermelha que usei quando lhe conheci Essas memórias ruins que quero apagar A mesma blusa que hoje uso e teve teu toque um dia A mesma blusa que um dia você tirou Teu toque que não sinto falta Tua lembrança que é um arrependimento.     Aquilo que não posso dizer   Aquilo que não posso dizer, É que minha raiva foi embora Que sua indiferença fingida Não faz sentido nenhum Aquilo que não posso dizer, É que sei o que sua armadura […] - [GIOVANI MIGUEZ - voz, belchior, navalha ‒ ao poeta que não se calou [resenha]](https://revistanavalhista.com/giovani-miguez-voz-belchior-navalha-%e2%80%92-ao-poeta-que-nao-se-calou-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista (perfil completo). Mote, Belchior, glosa: um espelho vivo de delírios poéticos contundentes No preâmbulo à sua coleção de plaquetes, o poeta Giovani Miguez define o objeto livro como “um documento que estabelece os modos como nos fazemos presentes na realidade”. Ainda de acordo com ele, a leitura e a escrita são “tecnologias de cuidado”.  No volume de número quatro das plaquetes, intitulado voz, belchior, navalha ‒ ao poeta que não se calou (Editora do Autor, 2025), Miguez ilustra sua tese por meio de percepções poéticas acerca da obra do cantor […] - [NAVALHAR É PRECISO - JANDEILSOM [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-jandeilsom-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA – Quem assina a orelha é o poeta Jacinto Fabio Corrêa. Sobre Mar de Palavras, ele diz que “traz à tona o eterno mistério que habita a essência de todo escritor: de onde vem tudo isso?” Jandeilsom, de onde vem tudo isso? JANDEILSOM – Certa vez recebi em casa o livro de poemas do amigo Sylvio Adalberto, da cidade de Petrópolis aqui no Rio de Janeiro, que trazia na capa o título “Sentir é terno” com um jogo de palavras implícitas, no qual ele já ensaiava a resposta para essa pergunta, como se dissesse que independente do jogo, […] - [PAULO MALBURK - Memória de elefante [crônica]](https://revistanavalhista.com/paulo-malburk-memoria-de-elefante-cronica/): Tem sempre um bicho guardado em nossas histórias de infância. Na minha aparecem um cachorro salsicha, gatos, peixes de aquário, coelhos, passarinhos, um carneiro… E até um elefante. Foi na inauguração do primeiro shopping center da cidade; o empresário anunciava volta grátis nas costas de Jumbo, o elefante.  Claro que não dei sossego a meus pais até que prometessem me levar ao passeio. Esse dia pareceu levar anos para chegar, mas enfim aconteceu. Em minha imaginação infantil achei que o elefante estaria me esperando para desenvolvermos o começo de uma grande e exclusiva amizade. Quando me deparei com as voltas […] - [LUCAS Z. MANOEL - Talvez efêmero [resenha]](https://revistanavalhista.com/lucas-z-manoel-talvez-efemero-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) O vinagre antes do vinho: o porre de estar à deriva Devo confessar que tem sido um porre essa coisa de ser jovem. Nos dias de hoje, com falta de emprego, tendo que buscar, cada vez mais cedo, o seu lugar ao sol em trabalhos precarizados, o que lhes resta é o viver entre os intervalos: do trabalho, das obrigações, da vida adulta e de toda a tecnologia que rouba o nosso tempo. Não é de hoje que a juventude se vê encurralada entre exigências que não escolheu e […] - [LUCIANA MORAES - Página desassossegada [conto]](https://revistanavalhista.com/luciana-moraes-pagina-desassossegada-conto/): Aprendi na escola a escrever um diário. Tinha de o fazer para as notas de redação. O pouco tempo que fiquei na instituição destinada a educar os cidadãos, aprendi os rudimentos da leitura e da escrita, e só. O diário eu execrava, pois não conseguia escrever nada para alguém ler. Estou a lembrar desses dias de fuga da escrita… e agora eu não tenho para onde fugir, senão para ela… Eu não escrevo meu querido diário, não tem nada de belo em tudo que arremesso como lixo sem separação, é tudo asqueroso, nada dá para reciclar, tudo que é podre […] - [GIOVANI MIGUEZ - Os Vermes do Mundo [resenha]](https://revistanavalhista.com/giovani-miguez-os-vermes-do-mundo-resenha/): por Andreia Santos, escritora e colunista na Revista Navalhista (perfil completo) Entre a carne e o verbo: a escrita da decomposição em Os Vermes do Mundo, de Giovani Miguez Na literatura brasileira contemporânea, marcada por uma tensão constante entre o excesso e a ruptura, a obra: “Os Vermes do Mundo: prosa reunida” (Editora Folhas, 2025), de autoria de Giovani Miguez, é uma coletânea de textos curtos que circulam entre o conto filosófico, o fragmento narrativo e crônicas, por vezes, absurdas, constituindo um painel grotesco da escatológica condição humana. Miguez escreve como quem percorre os subterrâneos do tecido social, deslocando a […] - [O Evangelho Segundo as HQs: a voz de um herege contra os deuses da modernidade [resenha]](https://revistanavalhista.com/o-evangelho-segundo-as-hqs-a-voz-de-um-herege-contra-os-deuses-da-modernidade-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Fragmentado como textos esparsos de uma religião antiga, O Evangelho Segundo as HQs é um compêndio de evangelhos, apresentados como apócrifos, que quer dessacralizar o que hoje é tão louvado pela sociedade moderna. Publicado pela editora Mondru, a obra de Mateus Ma’ch’adö coloca heróis da cultura pop sob a luz de temas religiosos, místicos e filosóficos, e faz a pergunta que não quer calar: será que o que exaltamos merece mesmo ser exaltado? A partir de uma genealogia que remonta a anjos caídos, hibridização e mitos pré-diluvianos, com poemas e […] - [Revista Navalhista - vol. 03 [inverno 2025]](https://revistanavalhista.com/revista-navalhista-vol-03-inverno-2025/): EDITORIAL 25 de julho, Dia Nacional do Escritor. Uma forma de homenagear cada navalhista que soma com a gente – seja publicando, lendo, espalhando nossas navalhas –, é trazer ao mundo a edição de Inverno nesta data. Terceiro volume. Abrindo espaços. Alcançando novos espaços. Com a chegada da Editora Sertão Pasárgada, torna-se possível que as futuras edições sejam impressas. É isso mesmo, estamos planejando que a Revista Navalhista tenha cheiro, peso e mais fome. Inclusive, vão atrás do perfil da Editora Sertão Pasárgada. Não só esse projeto sairá por lá, mas também algumas antologias de textos publicados por aqui. A […] - [RAFAEL LIMA MIRANDA - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/rafael-lima-miranda-4-poemas/): Os poemas que seguem integram o livro Idioma, que saiu este ano pela Editora Litteralux.     Momento   A câmera lança a armadilha com o furor de sua lente – laça o momento que escorre inexoravelmente.   O momento domesticado como um cachorro com boas maneiras – a fotografia explícita abrandando os lapsos da mente.   Uma foto esconde grades e espelha o oceano das inseguranças. Dentro dela sorrisos fugazes anseiam permanecer.     Obsessão   As cortinas do mirante se abrem sobre o mar imenso: espumas encaracoladas engolem o surfista desequilibrado.   Os binóculos do mirante descobrem o […] - [NAVALHAR É PRECISO - RAMON FELIPE [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-ramon-felipe-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA – Seu primeiro livro de poesia, As primeiras flores de Manhattan (Ópera Editorial, 2023), abriu caminho para a força sensível que vemos em Girassóis Fantasmas. Como você avalia essa obra de estreia hoje? Houve mudanças no processo de criação poética? RAMON FELIPE – Primeiramente, gostaria de agradecer o espaço e dizer que admiro o trabalho que vem sendo feito por vocês. É uma honra estar com a navalha em mãos (risos). Olha, penso na minha obra de estreia como a realização do sonho de um garoto que sonhava em publicar um livro. Durante muito tempo, publicar me pareceu […] - [YVISSON GOMES - A culpa de Sulamita [conto]](https://revistanavalhista.com/yvisson-gomes-a-culpa-de-sulamita-conto/): Que os seus lábios me cubram de beijos! O seu amor é melhor do que o vinho. Leve-me com você! Vamos depressa!Seja o meu rei e leve-me para o seu quarto. (Cânticos de Salomão 1: 2 e 4) Seus pés ardem feitos os de Sulamita, no Cântico dos Cânticos, de Salomão. O sabor das suas vísceras mentais explodem rumo ao destino da fatalidade. Dia desses, em um verão quente, raspei meus calos na areia do mar. Era tudo tão precioso. Lavava meus pés na lembrança de Sulamita. Aquele mar, de timbre e voz roucos, me chamava para penetrá-lo. Tive medo, […] - [ENZO FUGI - Perpetuando a Ilha de Jeju com tangerinas [resenha]](https://revistanavalhista.com/enzo-fugi-perpetuando-a-ilha-de-jeju-com-tangerinas-resenha/): por Jojo Dieira, escritora e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Na obra Perpetuando a ilha de Jeju com Tangerinas de Enzo Fuji, os sentimentos florescem como um fruto maduro pronto para ser colhido, um verdadeiro jardim de emoções. Uma história tocante que nos provoca a reflexão de temas sensíveis como luto, suicídio, família e escolhas. Apresentada sob a narração em terceira pessoa, incitando a descoberta desse ser que se apresenta em faceta. A narrativa melancólica nos questiona sobre o que seria o grande devir. Em uma sociedade em que está desbravando as próprias adversidades, encontra-se: Hae-In, um menino “desanimado […] - [VITOR SILVA - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/vitor-silva-4-poemas/): Os poemas que seguem estão presentes no livro O poeta são coisas que não cabem aqui, publicado neste ano pela Editora Urutau.     São Paulo   Quanta terra pra pisar nesse chão quantas São Paulos são?   interior é o dentro do dentro daqui que também é lá              Norte Oeste               Leste                  Sul          Centro é o meio do meio daqui que também é lá   e o que há de haver para além da fronteira? e depois               do depois                                do depois                                                  do depois     Masculinidade Cuidar das unhaspintá-lascolocar uma roupa rosa choquepôr anéis […] - [O encanto (possível) da vida adulta [resenha]](https://revistanavalhista.com/o-encanto-possivel-da-vida-adulta-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista (perfil completo). Dois anos após a publicação da coletânea de contos As filhas moravam com ele ‒ semifinalista do Prêmio Oceanos 2024 ‒  chega o primeiro romance do jornalista André Giusti. Ao som de rock and roll e blues e regado a vinho, Só vale a pena se tiver encanto (Caos & Letras, 2025) trata do processo de amadurecimento de fazer as pazes com as próprias contradições e arquitetar uma coerência pessoal. Alessandro Romani narra como sua demissão, aos 34 anos de idade, foi o primeiro de uma série de […] - [BRUNA ESTEVES - O inferno é aqui [conto]](https://revistanavalhista.com/bruna-esteves-o-inferno-e-aqui-conto/): Adão não tinha dúvidas de que Eva era sua alma gêmea, afinal, ela fora feita de uma parte de sua costela. Para ele, Deus quis ensiná-lo que quando se ama alguém, as pessoas perdem uma parte de si mesmas. É o preço que se paga por se permitirem sentir um sentimento tão sublime. Não cabe dentro de corpos frágeis. Elas também sangram internamente pelos sacrifícios que são feitos em nome do amor, mesmo que doa na própria carne já dilacerada. Deste modo, Adão aprendeu na pele o quanto amar também dói. Embora ainda não compreendesse totalmente os desígnios do Senhor […] - [LEANDRO BARBOSA - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/leandro-barbosa-3-poemas/): Teu nome me salvou em silêncio   Quando o mundo pesou mais que o corpoe a vida feriu onde a palavra não alcançava,tu estavas lá.não como quem chega para consertar,mas como quem fica,como quem vê o abismoe, ainda assim, estende a mão.   não me perguntaste nada,mas teu nome —tão leve e tão teu —se fez presença nos espaços vazios.   e, ao lembrar de ti,lembrei também de mim:de que eu ainda existiae que havia mundo depois da dor.   teu nome me salvou em silêncio —como uma oração feita em pensamento,como um abraço que não precisa ser ensaiado,como um […] - [Glosa íntimas consteladas: o eterno flerte para desmantelar vulcões [resenha]](https://revistanavalhista.com/glosa-intimas-consteladas-o-eterno-flerte-para-desmantelar-vulcoes-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Para os estoicos, o amor deve ser apreciado e vivido com moderação, sem apego excessivo ou dependência emocional. O foco principal está na virtude e no desenvolvimento pessoal, e o amor, quando presente, deve ser uma expressão dessa virtude, não uma fonte de perturbação. Os adeptos dessa corrente concordam em evitar o tipo errado de amor. No entanto, em Prelúdio da Pequena Morte, de Andréa Villa-Lobos (Mondru, 2025) há uma entrega por completo à tarefa (infinda?) de nomear o amor, o desejo e suas reverberações. A poeta mergulha em […] - [YBEANE MOREIRA - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/ybeane-moreira-4-poemas/): SOBRAS   Trouxe pouco:  Algumas palavras não ditas,  Um punhado de sonhos   Os que couberam na mala.    Dizia-se que era preciso  Carregar o mundo nos ombros.  Eu trouxe apenas  O que me cabia nas mãos.    Agora levo menos ainda:  As palavras se evaporaram,  Os sonhos se finaram  Como velas ao vento.    Sobrou-me este vago,  Este peso leve do quase-nada.  Mas há quem caminhe melhor  Quando a bagagem é pouca,  E o coração,  Ainda que vazio,  Bate!     Às Margens do Caminho   Vivo às bermas do caminho,  onde o asfalto se desfaz em terra,  onde os […] - [PEDRO SANCHES VIRGOLINO - Anos dourados [conto]](https://revistanavalhista.com/pedro-sanches-virgolino-anos-dourados-conto/): I – A Neurose Minas Gerais, 21 de junho de 1978 Eu desci daquele carro da forma mais normal possível; não usava uma maquiagem exagerada, roupas espalhafatosas ou um penteado diferenciado. Porém, não foi o suficiente. Quando pisei no cimento da calçada, vi, de longe, uma adolescente com mais um rapaz conversando. No momento que me viram, riram intensamente. A moça, loira, apontava seu dedo indicador na minha direção e continuava a sorrir em uma espécie de euforia, como se estivesse mostrando algo fascinante a ele. Questionei-me sobre o que poderia ser. Será que me acharam parecida com alguém que […] - [Conhecendo o universo com um menino com a cabeça nas nuvens e o bolso cheio de estrelas [resenha]](https://revistanavalhista.com/conhecendo-o-universo-com-um-menino-com-a-cabeca-nas-nuvens-e-o-bolso-cheio-de-estrelas-resenha/): por Jojo Dieira, escritora e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Poeira de estrela de Félix de Alcântara reacende nas palavras o sentimentalismo da infância. É como se cada palavra fosse uma estrela brilhante pronta para invadir a mente dos leitores. Em uma narrativa sensível e tocante, somos apresentados a David, um menino que queria conhecer as estrelas (talvez, porque também fosse uma), um menino aficionado por essas luzinhas, tanto que “andava com o bolso cheio delas” (Alcântara, 2025). Ao desbravar as páginas, nós nos deparamos com as ilustrações coloridas e divertidas de Clara de Oliveira que nos despertam o […] - [Elucubrações de um poeta entre o poema e a poesia [resenha]](https://revistanavalhista.com/elucubracoes-de-um-poeta-entre-o-poema-e-a-poesia-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Há um verso na plaquete Metapoéticas: remendos e atos poéticos #2, de Giovani Miguez, que funciona como uma espécie de dobradiça entre o que ela propõe e o que rejeita: “não sei o que escrever, mas preciso.” A frase reverbera como um impulso inaugural, a partir do qual o autor traça a trajetória que percorre estas páginas, em um caminho de esvaziamento das exigências formais, temáticas e narrativas que comumente envolvem a escrita poética. Este conjunto de textos bate pernas sobre esse processo paradoxal, estudando a linguagem enquanto tenta convertê-la […] - [A geografia de uma obsessão como método para depurar o desamparo com poesia [resenha]](https://revistanavalhista.com/a-geografia-de-uma-obsessao-como-metodo-para-depurar-o-desamparo-com-poesia-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista (perfil completo). Presente em inúmeras discussões contemporâneas, o tópico da responsabilidade afetiva tem ganhado cada vez mais espaço no campo da literatura. Vozes de profissionais da psiquiatria e da psicologia como Natalia Timerman e Josie Conti já delinearam em sua prosa, ficcional ou não, algumas imagens do chamado ghosting. Em Bicho geográfico (Toma Aí Um Poema, 2025, com prefácio de Bruno Inácio), Marina Faloni chega para oferecer uma contribuição ao debate e, por sua vez, abordar o tema sob a ótica ainda mais sensível da poesia.  Nos poemas da autora […] - [Narciso e o Hábito: os paradoxos de um Narciso feio [resenha]](https://revistanavalhista.com/narciso-e-o-habito-os-paradoxos-de-um-narciso-feio-resenha/): por Andreia Santos, escritora e colunista na Revista Navalhista (perfil completo) Narciso e o Hábito, de Felipe Nomura Honorato, é um romance que une lirismo, crítica cultural e introspecção filosófica. O título antecipa ao leitor a dualidade que atravessa a obra: o espelhamento narcísico da identidade e a rigidez do hábito como forma de contenção ou mesmo de alienação. Com uma escrita refinada, permeada por intertextualidades e um senso estético apurado, Honorato apresenta um texto que desafia o lugar-comum da literatura contemporânea e convida à contemplação crítica de si e do mundo. A escrita é marcada por digressões densas, construções […] - [BENÉ LOBATO - 7 poemas](https://revistanavalhista.com/bene-lobato-7-poemas/): Anjos & Algas   Ao Princípio Será A Linha Rastro da Mão Rastro do Desejo e do Acaso   A Linha é Cega Enquanto Se Faz Enquanto Se Faz A Linha Finda E Principia Toda Possibilidade   Rastro do Tempo   Sobre o Branco Sob a Pura-Promessa Em Meio ao Caos   Na Densa Transparência Que a Tempestade Respira As Breves Anatomias Das Certezas Dos Anjos e das Algas     Escrevo   Escrevo Rearranjo Tramas de Ar Por Onde Escorre o Vão E o Vazio     A Figura   A Figura Semiaberta Variamente Continua Impõe sua Tez   […] - [LETÍCIA PRADO - A hora da estrela [crônica]](https://revistanavalhista.com/leticia-prado-a-hora-da-estrela-cronica/): Clarice disse que, a hora da estrela é quando morremos, pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes. odeio concordar, mas é verdade. por que não nos importamos com os vivos enquanto eles estão vivos? por que esperamos a morte para jogar flores e fazer homenagens? me pergunto todos os dias da minha existência porque o ser humano age como age e não me conformo com a imutabilidade das coisas. com a minha falta de controle. […] - [J. WHO - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/j-who-4-poemas/): OS DIAS   Era uma tarde de abril. Caiu… algumas gotas desde aquele dia. Hoje… choveu forte. Mas amanhã — a tempestade virá. Eu sei. Tentei contar os dias. Não coube nos dedos. Não saberia dizer com quantos pares de mãos e pés eu precisaria nascer para conseguir chegar em um número.   Lembrei que não quero contar. Lembrei que não quero lembrar. Não. Quero. Lembrar. Aquelas gotas… corroem minha pele. Têm o cheiro forte. E fazem arder os olhos.   Lembrei do vazio. Lembrei do frio. Lembrei dos prenúncios que ignorei. Lembrei… dos vieses. Não lembro mais! Por vezes… […] - [MARCOS OLIVEIRA JR. - 6 poemas](https://revistanavalhista.com/marcos-oliveira-jr-6-poemas/): nosso sangue na lona nunca esfria o sonho de escapar desses combates intermitentes sobre o calendário aberto como um mar preso nos gráficos   nossa bússola incerta nos mantêm próximos apesar das tempestades nosso passado impróprio nos convida para o revés da morte que nos mata   nossa ausência escorre entre os trabalhos em cartas muito sérias sobre o amor inevitáveis como os nossos nomes   desenhando o vermelho e o azul dos mapas que guardamos em nossos corações eternamente jovens contra o tempo     recomeçam os pores do sol e tu não sabes onde me encontrar o teu […] - [NAVALHAR É PRECISO - HERMES COÊLHO [entrevista]](https://revistanavalhista.com/navalhar-e-preciso-hermes-coelho-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA – Lançado no final do ano passado, eclipse saiu pela Editora Patuá. Hermes Coêlho, comecemos por seu nome. A letra “H”, que carrega a marca do silêncio, ocupa um lugar central na sua poética. Como foi para você esse processo de ressignificar um símbolo que antes era dor e torná-lo linguagem, resistência, presença nos poemas? HERMES COÊLHO – Gosto de dizer que sangro poesia. Meus traumas e percalços viram verso, tanto que compus a Trilogia do Trauma (formada por Nu, Violado e eclipse). Tem uma traboule de Lyon dentro de mim que me leva a esses lugares secretos […] - [Alma encarnada de corpo: a resistência ao corpo é verbo profano [resenha]](https://revistanavalhista.com/alma-encarnada-de-corpo-a-resistencia-ao-corpo-e-verbo-profano-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) “Corpo poema” (Edição do Autor, 2025), primeira plaquete de Giovani Miguez, celebra a poética da existência encarnada, encorpada. Com sensibilidade e força lírica, o autor transforma o corpo humano com suas dores, potências, marcas e prazeres, em palco onde se inscrevem histórias individuais e coletivas. A obra apresenta uma progressão temática sensível e crítica, que são listadas no prefácio, revelando o tema central do livro: o corpo como espaço de prazer e dor. Entre os poemas, surgem temas recorrentes, como a política dos corpos que aborda opressões, padrões estéticos […] - [CLAUDIO VENTURA - Um dom único [conto]](https://revistanavalhista.com/claudio-ventura-um-dom-unico-conto/): Ana e João eram um casal como outro qualquer. Após 4 anos de namoro, casaram-se e tiveram o primeiro filho. Isabela, ou Isa, como apelidada pelos pais, nasce como uma criança qualquer. Mas logo na primeira mamada nota-se algo peculiar: a bebê não consegue executar 2 atividades simultaneamente. Algo involuntário como respirar e bater coração ao mesmo tempo por exemplo. Ela as intercala, e ao mamar, para de respirar e seus batimentos cardíacos idem. Ana e João ficam alarmados, mas após uma maratona de médicos das mais distintas especialidades, nenhuma enfermidade é diagnosticada. A condição de Isa é inédita na […] - [Entre moscas, píxeis e preces: a estética do fim do mundo em A Espiritualidade da Sobrevivência [resenha]](https://revistanavalhista.com/entre-moscas-pixeis-e-preces-a-estetica-do-fim-do-mundo-em-a-espiritualidade-da-sobrevivencia-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) A Espiritualidade da Sobrevivência, de Carvalrôss, propõe uma escrita que se debruça sobre os escombros de um mundo em fratura. O título já antecipa o paradoxo central da obra: há qualquer espiritualidade onde só o que resta é sobreviver? O livro, publicado pela editora M.inimalismos, investiga as potências poéticas que nascem do esgotamento, do abismo e da persistência. É a sobrevivência estética e ética escalavrada nas ruínas que não param de aumentar, pura declamação com dedo em riste. Quando o termo “espiritualidade” surge aqui, ele está longe da forma pacífica […] - [FRANCISCO MARINHO BAPTISTA - Território, afeto e resistência: ecos da luta em Torto Arado e narradores de Javé [artigo]](https://revistanavalhista.com/francisco-marinho-baptista-territorio-afeto-e-resistencia-ecos-da-luta-em-torto-arado-e-narradores-de-jave-artigo/): O objetivo deste ensaio é analisar e comparar a relação do sujeito com o território nas obras Torto arado, de Itamar Vieira Junior, publicado em 2018, e  o filme Narradores de javé, lançado em 2003. Ambas as obras apresentam as lutas pela permanência nas terras onde seus personagens residem e trabalham. A partir disso, torna-se necessário correlacionar essa problemática para uma análise mais aprofundada. Serão comparadas não apenas as questões territoriais presentes em Água Negra e no Vale de Javé, mas também os obstáculos que permeiam a vida dos seus habitantes. O romance Torto arado está dividido em três partes […] - [No oratório selvagem: O vazio existencial e a busca por sublimação [resenha]](https://revistanavalhista.com/no-oratorio-selvagem-o-vazio-existencial-e-a-busca-por-sublimacao-resenha/): por Soraya Viana, professora, tradutora e colunista da Revista Navalhista (perfil completo). A frase inicial do primeiro livro de Nomura Honorato, Sacrário vazio (Arte Impressa, 2024), já dá o tom da narrativa: “Judas, Judas, traidor, afunda!”, gritam oito colegas de escola enquanto o menino submerge num rio.  Aos 12 anos, o introvertido Judas Tadeu segue a fé católica da mãe, Elis. A personalidade curiosa, o amor pela natureza e a sensibilidade do garoto fazem dele um dos alvos preferidos de valentões na escola.  Já adolescente, num colégio católico de elite, o protagonista consegue se enturmar, porém sua intensidade o leva […] - [ANDREA VILLA-LOBOS - 7 poemas](https://revistanavalhista.com/andrea-villa-lobos-7-poemas/): Com a navalha: Andrea Villa-Lobos. Ficamos com 7 poemas da autora:     Talvez   Às vezes um não – indeciso sim – voa entre o que se diz firma-se no intermédio ou tropeça nas entrelinhas.   Aí se arranjam confusões.   Um acordo entre o que se fala e o que se mantém sob a guarda (até quando e quanto se consegue) é firmado entre desejo e o juízo entre o silêncio e a palavra feito o relacionamento estreito entre cavalo e cavaleiro.     O amor   Anticorpo pra falta analgésico pra o vazio elixir pra o desassossego […] - [JOÃO VICTOR MINGRONE - 3 poemas em prosa](https://revistanavalhista.com/joao-victor-mingrone-3-poemas-em-prosa/): Com a navalha: João Victor Mingrone. Segue 3 poemas em prosa dele. Batalhas interestelares Ó grito vivo das estrelas, mistério primordial e de infinita apreciação. O olhar do poeta apaixonado, o suplício do doente, a imaginação da criança. No coração há uma batalha, Deus puxa com força os ásperos chifres do Diabo. O artista olha para as estrelas, uma em particular parece mais brilhante que as outras. Seu olhar é tomado pela extrema compaixão da criança faminta no sol quente. O Diabo se recompõe, mordiscando e desfigurando o rosto de Deus. Para a estrela, o homem amaldiçoa o irmão bem […] - [CARLA DE PAIVA - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/carla-de-paiva-3-poemas/): Com a navalha: Carla de Paiva. Segue 3 poemas dela:     (é tempo de semear)   ao retorno que não fiz, ao caminho, à espera, os pés rachados que ainda podem – e vão – sangrar.   palavras não escritas, não esperadas, quiçá, não lidas; este profundo e indomável desejo de silêncio, reclusão, auto exílio.   é tempo de semear… a voz que grita, profanando o véu do silêncio ninguém, ninguém, ninguém ouve. guardo-a distante dos que sempre possuem algo a dizer temerosos do seu próprio silêncio.   tempo de estiagem tempo de gente apressada silêncio gritado dor. … […] - [Sobre a Revista Navalhista (Periódico Trimestral)](https://revistanavalhista.com/sobre-a-revista-navalhista-periodico-trimestral/): A cada três meses (a cada nova estação) lançaremos uma novo volume de nossa Revista Navalhista. Vocês sabem, muita coisa boa quando se trata de poesia, conto, crônica e outras propostas hibridas. Conheçam quem faz a Revista: Corpo Editorial Editor: Aliedson Lima Designer Gráfico: Tadeu Sanges Revisor: Mara Acrísio Para nos contatar, usar o e-mail: navalhar@revistanavalhista.com ou, se preferirem mandar algo, nosso endereço: Rua Santa Terezinha, 180, Assent. Cuiabá, Canindé de São Francisco – SE. - [ANGÉLICA CONCEIÇÃO - Papillon [crônica]](https://revistanavalhista.com/angelica-conceicao-papillon-cronica/): Rebeca já tinha visto tudo nos filmes. Ela acreditava ser possível escapar de qualquer prisão. Como em um Sonho de liberdade: basta entender um pouco de geologia, comprar um pôster da Rita Hayworth, atravessar um esgoto, cair em um lago de merda, sair coberto de dignidade e viver em Zihuatanejo. Em última instância, restaria ser como em Papillon, se alimentar bem de insetos e se lançar ao mar sob uma boia nada confiável. Ela tinha lido nos jornais: sim, um ou outro presidiário já havia cavado um túnel com uma colher. Quanta força de raiva armazenada para escapar de uma […] - [GABRIEL MONTILLA - 3 poemas](https://revistanavalhista.com/gabriel-montilla-3-poemas/): Com a navalha: Gabriel Montilla. Os 3 poemas que seguem são do seu segundo livro “o sangue segue nos olhos” (2025), saiu pela editora Patuá.     as dores do mundo   no dia que descobri minha sina era tarde demais.   meu braço esquerdo doía, como se as veias estivessem entupidas de formigas.   meu peito apertou, comprimindo as batidas do meu coração, que, sem espaço, foi obrigado a cessar toda aquela agonia,   mas antes – quase um segundo antes – notei que só assim eu seria possível.   morrer é tornar-se eterno, pois para sempre não seremos […] - [SARA LIBERATO - Do outro lado [conto]](https://revistanavalhista.com/sara-liberato-do-outro-lado-conto/): O som matutino que vinha do lado de fora começara a ressoar em meu quarto, o qual, ao ouvir, era um bom alarme para despertar. Estava eu, deitada de bruços, esperando o dia começar para, enfim, levantar-me de uma noite sossegada, mas não o suficiente para evitar sonhos inquietantes. Minha mente não havia ainda se acostumado ao novo habitual desse ambiente. Desde que me mudei de bairro, parecia que tudo em mim relutava em aceitar o apartamento onde hoje resido. Não tive paciência até então para conhecer e me acostumar com o dia a dia da vizinhança, e pasmem, com […] - [GUILHERME DE QUEIROZ - 6 poemas](https://revistanavalhista.com/guilherme-de-queiroz-6-poemas/): Com a navalha: Guilherme de Queiroz. Ficamos com 6 poemas dele:     síndrome de florença   a sombra é sempre maior que o sujeito à luz pois ande no escuro até enxergar   o mundo é uma bola de gude azul mergulhada num poço sem fundo sua pupila é um poço sem fundo mergulhada num mundo azul   feito de íris cataratas diferentes cegam e encharcam   o amor acaba nos olhos quando tudo parece calmo e às vezes até desmaiamos     varal da tua vista   teu pregador de roupas uso para fechar pacotes quase vazios   […] - [O verso elétrico da juventude: emoções e insônias indie-pop [resenha]](https://revistanavalhista.com/o-verso-eletrico-da-juventude-emocoes-e-insonias-indie-pop-resenha/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Kahel Santos apresenta, em Feriado das Incertezas (e outras ponderações) (Versiprosa, 2025), uma obra poética que suspende o tempo cronológico para mergulhar na temporalidade afetiva. Um tempo ritmado, pela ausência e pelas minúcias da vida cotidiana. Dividido em três atos — “Os Feriados”, “As Incertezas” e “As Ponderações” — o livro é uma espécie de calendário emocional no qual os poemas se equivalem a um dia vivido com intensidade, ironia e delicadeza. O autor aposta no verso livre, com musicalidade espontânea e contagiante, imagens fortes e sutilezas emocionais. Seus […] - [ALUISIO MARTINS - 5 poemas](https://revistanavalhista.com/aluisio-martins-5-poemas/): Com a navalha: Aluisio Martins. Fiquem com 5 poemas dele.     Idiossincrasia   uma atraca à mesa a outra atrasa o banquete   uma eriça em síncope a outra hesita o atrito   uma trama para si a outra treme de si   uma faz o bem sem saber o bem que a outra não fez     Problema-chave   90% dos [meus] problemas são ocos 90% dos [meus] dilemas são toscos   [minha] arte resolve os demais   O resto rema para fora da borda   do resto do resto do resto do resto do   [meu] Ego   Um poema sanaria o [meu] mundo […] - [Natali, uma “sem pai” [crônica]](https://revistanavalhista.com/natali-uma-sem-pai-cronica/): Maria, mulher de meia idade, andava preocupada pois as “regras” não desciam e já havia outros filhos que dependiam dela. José, seu marido, no entanto, não se deu ao trabalho de se importar com a situação. Para ele não havia preocupação, nem com Maria, muito menos com os filhos. Nem parecia aquele, tão cheio de amor com quem Maria se deitou anos atrás. Os meses passavam. A barriga crescia e a ausência de José também. Ele, que embora prometesse vir do trabalho direto para casa, parava antes no bar. E então, nasceu Natali (O nome foi escolhido pois era Natal), […] - [MARINA FALONI - Bicho Geográfico, uma entrevista](https://revistanavalhista.com/marina-faloni-bicho-geografico-uma-entrevista/): REVISTA NAVALHISTA – Bicho geográfico (Editora TAUP, 2025) é sua estreia literária. Ao abrir o livro, já nos deparamos com um prefácio de um dos críticos literários mais solicitados do momento, Bruno Inácio: “A matéria-prima de Bicho geográfico, de Marina Faloni, passa pela angústia e pelo desamparo”. Você concorda? O que te angustia? Que desamparo é esse? MARINA FALONI – Bruno Inácio foi muito feliz ao utilizar o verbo “passar” e, no parágrafo abaixo, complementar com “a autora traça todo o itinerário de uma relação que não se concretizou”. Isso porque o livro não se debruça apenas sobre a angústia […] - [Começar o mundo de novo verso a verso: Tamara Isaac e o gesto radical de não querer ser outra [resenha]](https://revistanavalhista.com/comecar-o-mundo-de-novo-verso-a-verso-tamara-isaac-e-o-gesto-radical-de-nao-querer-ser-outra-resenha/): por Gustavo Freixeda, escritor e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Livros como esse de Tamara Isaac querem, acima de tudo, existir. Existir contra todas as tentativas de silenciamento, esquecimento e apagamento que a vida, a história e o mundo impõem a certas existências. No cerne da coisa, onde há um gesto de escrita que tensiona o verbo até que ele sangre, tudo existe com força redobrada e o livro se transforma numa arqueologia emocional, política e histórica, escavada por uma autora que se desloca entre geografias, línguas, identidades e traumas. Não quero ser outra busca, como diz um verso marcante […] - [LÍCIA MAYRA - 4 poemas](https://revistanavalhista.com/licia-mayra-4-poemas/): Com a navalha: Lícia Mayra. Ficaremos com 4 poemas dela:     ophidia   não era pra você dizer que me ama.   grite comigo bata na mesa confira o ponteiro da gasolina como das outras vezes   mas não me venha com águas nos olhos e palavras há tanto caladas   não suporto cheiro de naftalina.   você me faz mentir, amor inventar problemas forjar um choro inverter o jogo colocar nas suas mãos a culpa que eu deveria amargar   e depois vou lavar os pratos que você deixou de ontem   amor, às vezes eu acordo assustada […] - [DIOGO CHALEGRE - O Som de João [crônica]](https://revistanavalhista.com/diogo-chalegre-o-som-de-joao-cronica/): Segunda-feira, 18 de maio de 2020. Como de costume, nos últimos 64 dias, estava em home office. A segunda é um dos 3 dias da semana que trabalho de casa e não preciso ir à Fiocruz. Um movimento intenso de helicópteros se iniciou no meio da tarde, aqui em Botafogo. Foram algumas idas e vindas que chamaram a minha atenção. Após toda barulheira, voltei a minha concentração para o trabalho. Hoje, terça-feira, 19 de maio de 2020, me deparo com a notícia de uma operação policial no município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Esta ação levou à […] - [“Transgressão ao cânone”: Escrinvenções Mal Ditas [resenha]](https://revistanavalhista.com/transgressao-ao-canone-escrinvencoes-mal-ditas-resenha/): por Andreia Santos, escritora e colunista na Revista Navalhista (perfil completo) Em Escrinvenções Mal Ditas, Frederico Araújo apresenta uma escrita desconstruída, subvertendo a lógica de uma leitura linear, o autor põe o leitor em suspeição, deixo-o procurar (ou indagar?), nos minicontos, o tempo, o espaço, e até mesmo personagens. O autor faz uma transgressão ao cânone, como a frase título dessa resenha, tirada de um dos seus contos. Logo de início o autor nos oferece o que está por vir, no conto de abertura, intitulado: para não dizer que, “[..] com todo o mistério e segredo que o que segue […] - [JOEMA CARVALHO - Corpo de samambaia [conto]](https://revistanavalhista.com/joema-carvalho-corpo-de-samambaia-conto/): Zona rural de uma cidade pequena de interior. Na época, ainda possuía, em torno, de 3.000 habitantes. A família tinha uma constituição tradicional: pai, mãe, duas filhas e o filho mais velho. Orgulho e troféu do pai, em um primeiro momento, depois, estorvo. A sensibilidade dele o fazia transitar pelo universo da mãe e das irmãs, sem perder a sua virilidade. As tinha como referência de família em seu coração e as defendia do próprio pai, que não tinha espaço nem no pasto, lugar de animais sencientes. A vida era simples. O trabalho era na roça. Plantavam uva, cana-de-açúcar e […] - [A areia da praia no fio da ampulheta: a balada do timoneiro marulho [resenha]](https://revistanavalhista.com/a-areia-da-praia-no-fio-da-ampulheta-a-balada-do-timoneiro-marulho/): por Mayk Oliveira, poeta e colunista da Revista Navalhista (perfil completo) Evocando o sagrado, o livro Mar de Palavras (Urutau, 2025), do escritor e poeta Jandeilsom, se faz templo de santificação. A construção lírica dessa obra acontece, em muitos momentos que partem do azul (o blues?), numa espécie de lamento e saudade que se dá no confronto entre o mar e as forças místicas da terra, entre as forças sociais que compõem os arredores: os golfos, a areia, a água, o naufrágio, a favela. Um lugar dos eleitos e do silêncio na água do mar, cujo o rosto não se […] - [MICHELLE SN - Jantar à moderna [conto]](https://revistanavalhista.com/michelle-sn-jantar-a-moderna-conto/): Parecia um dia comum. Irene acordou às 6hs, preparou o café, chamou as crianças e partiram às 6h45, como sempre, atrasados. Deixou as crianças na escola e dirigiu-se para o trabalho. Na pausa costumeira para o café da manhã, conferiu suas redes sociais que lhe avisaram sobre o aniversário da sua mãe “Meu Deus, como pude esquecer!”, exclamou consigo. — Alô — falou D. Cilene. — Alô, Mãe? Parabéns, muitas felicidades e que você continue nos alegrando por muitos e muitos anos mais… Vem Jantar com a gente hoje? — Oh mia fia, brigada querida, vou sim meu amô… Como […] - [FRED DANTAS - 5 poemas](https://revistanavalhista.com/fred-dantas-5-poemas/): Dezesseis e trinta   Um sol de dezesseis horas de um verão acinzentado nuvens carregadas pelas bordas nas vestes de um céu nublado.   Alto em luminosidade escondida dessas que viaja sem passaporte, esgueirada e clandestina. Pela janela não cintila mas carrega um pensamento à reboque.   Ventilando esconderijos, disfarçada essa escrita que observa, atenta e estrangeira o silêncio entre as esquinas de um poema sem tinta, de rimas teimosas inacabadas.   E permanecem esperando o arrebol de mais um dia dos planos e do ruído espasso de um feriado: o choramingar de uma criança, seguida de uma voz materna […] - [JOSIERE M'HIMBA - O Chamado da Inspiração [conto]](https://revistanavalhista.com/josiere-mhimba-o-chamado-da-inspiracao-conto/): Sonhei com a floresta, algo me chamava, era um sonho recorrente, barulho de água, música, lua. Mas tinha medo. Eu estava há muitas semanas travado, não conseguia compor. Experiências novas ou que ressoam comigo em um nível primal me inspiram. Ficar horas sentado na praia em dia nublado ouvindo apenas as ondas e a garoa. O mundo se dissolve. Em visões, a mata se revelava, um convite sussurrado. A água, a floresta, o esplendor do luar… tudo me encantava, mas o medo me impedia. Ficar grudado ao lado de um quiosque de pão de queijo na estação de metrô Barra […] - [SILVANE SILVEIRA FERNANDES - Entre o céu e a terra [conto]](https://revistanavalhista.com/silvane-silveira-fernandes-entre-o-ceu-e-a-terra-conto/): Na manhã de inverno em Sendai no Japão crianças e adolescentes brincavam no recreio da escola Gakoo, quando de repente Ryo (良)[1] se viu no céu, estava andando de nuvem em nuvem, no mesmo instante voltou para a terra e retornou para a escola, parecia um pensamento, mas ficou intrigado com o que acabara de sentir, o sino tocou e a aula recomeçou. Aquela foi a primeira vez que Ryo sentiu-se andando nas nuvens; em casa não falou nada, porém sua irmã percebeu algo estranho e perguntou: — “kyodai, irmão, como foi a escola hoje, achei seu semblante preocupado.” Ryo […] ## Pages - [Quer publicar?](https://revistanavalhista.com/quer-publicar/): Então você tem interesse em somar ao time de Navalhistas? Bacana. Segue: Nossa revista tem por objetivo ser um espaço híbrido. Descentralizado. Poesia, conto, crônica, artigo, tradução, pinturas, colagens etc. Tem uma outra proposta para publicar? Manda. Quem quiser. Não é bem por aí. Recebemos muitos textos. Naturalmente, alguns deles ainda não estão prontos para publicação. A não publicação também faz parte do processo. Mas não deixem de enviar. O processo de envio é o mesmo para ambas modalidades. Ao receber seu texto, cabe ao editor julgar o que vai para o Periódico e o que fica no Site. Como se trata […] - [Baixar a Revista Navalhista](https://revistanavalhista.com/baixar-a-revista-o-navalhista/): Aqui estão todas as nossa edições: BAIXAR BAIXAR BAIXAR - [5 Navalhadas](https://revistanavalhista.com/5-navalhadas/): O que é 5 Navalhadas? É o nosso formato mais acessível de entrevista, aberto a qualquer navalhista que deseja participar. Pode ser entendido como um exercício de escrita. Pode ser entendido como um desafio. Haverá navalhistas usando como amuleto para quebrar bloqueio criativo. Além de preencher tudo certinho, única coisa que pedimos: criatividade. Aceitam o desafio? Como será a entrevista? Usaremos um formulário para captar os dados e respostas de cada navalhista. E sobre as respostas, um lembrete: só teremos 500 caracteres com espaço para cada uma. Mais que isso, seu formulário não será enviado. Afinal, estamos falando de navalhadas. […] - [O Editor](https://revistanavalhista.com/o-editor/): Aliedson Lima é editor da Editora Sertão Pasárgada, assim como da Revista Navalhista. Autor dos livros de poesia Artaud visita Pasárgada (Editora Urutau, 2024) e Blues do homem contra o sol (Editora Urutau, 2023), do romance A hora do carcará (Editora ECOA, 2022), e também publicou de forma independente o livro de contos Sete domingos por semana (2021). Aliedson Lima tem participação em mais de uma dezena de antologias regionais. [comment]: # (Generated by Hostinger Tools Plugin)