RESPEITO
A forma que uma sociedade vive, diz muito sobre o que ela valoriza
O respeito é o termômetro de gente fina, de gente viva
O respeito deve estar presente em pequenas e grandes atitudes
Ele deve ser exercido em plenitude
O respeito a qualquer forma de vida
Exalado de forma ilimitada
Isso é coisa de gente iluminada
O respeito “tímido”
Que escolhe o destinatário
Isso é coisa de otário
AVESSO, DO AVESSO, EXISTÊNCIAL
Quando uma mulher
Honra a misoginia
Transbordando condutas machistas
Isso já é uma pista
Do quão distraída
Está essa perdida
Negar o patriarcado
E todo seu legado
É questão de instrução
Logo se ver, que essa concepção
Não foi estudada
E sim, minimizada
Pela nossa educação
Há de se reparar
Essa evasão
De leituras e aprofundamento
Num assunto de extrema importância
Que dá livramento
Segundo Cortella
“O contrário de machismo
Não é o feminismo
É a inteligência”
Equilíbrio e sapiência
Formam uma sociedade boa
Cheia de ciência
Respeito e amorosidade
Transformam nossas vidas
De verdade!
CHORUME DA MASCULINIDADE
O tipo valentão
Veste essa personagem
Quando incorpora o covarde
Agressor de mulheres
Esse chorume de gente
Não enfrenta outro fortão
do calibre do seu esporão
E metido a cavalo do cão
A valentia e robustez desse grupo
Só se resume a agredir um corpo franzino ou minúsculo
Em plena desvantagem
Na hora de se responsabilizar
Pelos crimes cometidos
São todos ratazanas
Acuadas e mentirosas
Querendo enganar toda a sapiência humana
Se esvai aquela valentia
Vira tudo covardia
Do tipo:
vou me desvencilhar
É fácil enganar
Vai aparecer outros canalhas
Pra minimizar
Pra me ajudar
Esse tipo de gente
Envergonha até os seus entes
Mancha a imagem do masculino
De senhores respeitosos e de puro tino
(uma mulher foi brutalmente agredida por um covarde, em RN, num elevador, em jul25)
DO NADA, TRAMPO!
Indivíduo na mágoa
Só arruma presepada
Parece que não transa
Que não dá uma, bem dada!
Se viesse a Fernando de Noronha
Ia virar uma persona
Molinha, toda dengosona
Se viesse ao galo da madrugada
Ia virar uma sereia
Numa serenata
Se rodopiando
Entre o Capibaribe e o Atlântico
Esse cabra alaranjado
Poderia ser nosso parceiro
Poderia desfrutar desse grande seio
Poderia até arrumar um trampo
Nesse país que não arrega, que toca um bombo
Este país tem dignidade
Tem nacionalistas, não só fascistas
Estamos, do nada, sambando na pista!
(Versos inspirados no cenário político, com as energias de mamãe Oxum e nossa senhora do Carmo – 16.07.2025)
A ARTE É INDOMÁVEL
Assuntos difíceis de abordar
Podem se tornar
Perfeitamente ambientados
A arte sabe como lidar
Temas sigilosos
Mesmo pulando aos olhos
Pra arte não tem imbróglio
Farsa dissimulada
Parece bem arquitetada
A arte come de Côco
Faz com limões, limonada!
Quando o poder público “falha”
Ou se achincalha
Quando ele se omite
A arte dá show, de strip-tease
Impunidade, medo
Desvio de finalidade e trapaça
A arte dribla e faz gol de placa
Interesse próprio, cancelamento
Improbidade, conivência
A arte não pensa duas vezes
Digere e ainda faz ciência
Só um ser das profundezas do absolutismo
Recria narrativas com o fim de oportunismo
Se acha superior, se torna um opressor
Despreza a academia, é lá que a arte se aninha
A Arte é indomável, ela atua em todos os palácios
Faz salseiro, entra em qualquer assunto
ELA É!
O famigerado intestino deste mundo.

Chaleny Chagas é uma escritora intuitiva, que transborda atraversos amorosos e viscerais. Do país nordestino do Brasil para a bolinha azul orbitante ao sol. Pernambuco tem Baleia? Tem Sargento Baleia.

