Os poemas que seguem estão presentes no livro Cego método, publicado em 2025, pela Editora Patuá.
Idioma II
Doce mínimo
pássaro,
a cabeça
vermelha como
escalpo –
No bico
uma gota
de lava,
o canto
em erupção –
Fora do
mundo,
caminho
sem
idioma
Planície
Púrpura planície do céu, lapso
do que não é
ainda
Palavra,
cego método –
Destino das coisas feitas
no claro, sonho
enfermo
na sombra –
A cor das coisas apenas
Recordadas
O broto
Roto
o broto
do instante
veda
a aurora.
Tangencia
ignoto
a tez
da noite
no fora
Tão
somente
espelho
morto
o broto
jaz
(e devora).
Do homem
I
Do homem
ao verme:
na terra, cicatriz
do sonho
no vento.
Do verme
ao nada:
o homem
reconciliado
no vento, a marca
do sonho.
II
Do sonho
se engolem
as brechas
o homem
no tempo
venta.
III
Dentro do sonho
a cicatriz
dentro do homem
o verme
dentro do tempo
o vento
é brecha
e nome.
IV
Um verme
sonha?
Divertimento
A coisa
diante do olho
foge.
Diante do olho
toda coisa
cega.
A única
visão segura
deixa o olho
rubro.
A visão rubra
produz o
poço dentro
e voa.
Calar o olho
é enxergar
o tempo
uno.
Ovo da
pálpebra
substância
olho-instante

Leandro Reis nasceu em Vitória, Espírito Santo, em maio de 1990. É formado em jornalismo e tem mestrado em estudos literários. Publicou o livro de contos Catamaran, em 2012, pela Editora Cousa, e o livro de poemas Cego método, em 2025, pela Editora Patuá. Atualmente vive em Vila Velha (ES) e é servidor público na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

