Depois de um mês quase infindável de julho, o povo parecia ter recuperado as boas esperanças com a chegada do tradicional e quente mês de agosto. Naquela tarde, dia primeiro, observava, da minha janela, algumas pessoas que se amontoavam nas praças, à espera de um vento refrescante. Elas gostavam de conversar e expressar os acontecimentos de suas vidas, uns aos outros.
– Minha filha está grávida.
– Ganhei uma promoção no emprego.
– A diabetes está acabando comigo.
Tratava-se de assuntos tão comuns, corriqueiros, mas que julgavam como os mais interessantes e importantes do mundo. Ao mesmo tempo, nos trabalhos, nas clínicas, em casas e nas ruas, em televisores e celulares, as pessoas assistiam às competições das olimpíadas, que sacudiam o Velho Continente. Cada pessoa que circundava aquela praça, que pisava sobre aquele chão, carregavam uma história unicamente sua.
A senhora de vestido verde, no carro, parecia ser professora; enquanto aquele de blusa vermelha, numa moto também vermelha, um entregador. Aquela na loja de roupas com uma sacola, uma médica. Todos se cruzaram, mas não se cumprimentaram. Não se olharam. Talvez, nunca mais se encontrem. Olhar tudo isso de minha janela me fez refletir: não fazia ideia de como uma tarde de agosto podia ser tão interessante.

Paulo César nasceu em Aracati, no Ceará. É formado em História e gosta de realizar pesquisas sobre temáticas variadas. No tempo livre, gosta de ler e caminhar com os amigos, principalmente aos fins de tarde. Utiliza a literatura como uma forma de interpretar os seus pensamentos, sentimentos e observações do dia a dia, como um divertimento e válvula de escape. Apreciador da literatura brasileira, e principalmente a de cunho regionalista, admira autores como José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Adolfo Caminha e Campos de Carvalho.

![PAULO CÉSAR – Agosto [crônica]](https://revistanavalhista.com/wp-content/uploads/2026/01/Foto-Paulo-Cesar.jpg)
Ótimo escrito, e meu amigo. Que orgulho!!!
Tão bom te ler…