EDUARDO ARAUJO – 6 poemas
EDUARDO ARAUJO – 6 poemas

EDUARDO ARAUJO – 6 poemas

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palhaço é quem espera

 

Genérico material e concreto sob o sol

vejo que o mundo é uma árvore de fantasmas

(ou há

subjacente ao mundo uma árvore

mandando para cá fantasmas)

e a chuva sabe quando chove

e quando chove tudo que falta falta menos

e se molham os fantasmas

(pode-se então quase que ver

através de suas roupas molhadas)

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mapa neurótico-obsessivo do grajaú e adjacências

 

Impossível te ouvir no meio

desta rua arborizada

sorvo hipnotizado as tuas dificuldades

viro a esquina da rua escura e pergunto

a um desconhecido qual é o seu nome

(não o dele, o seu) por mais

que eu sinta que deveria saber

e saiba por certo que ele não sabe

e não quero saber

com a vertigem dum vôo de pombo

o único animal além do homem que sabe

o tempo todo que vai morrer

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errata

 

A esta altura cabe perguntar-me:

pra que

um castelo, tanto espaço?

não vê? porque eu não vejo

tanta odisséia.

As coisas vêm, veja

às unidades

não são figurinhas

nem esferas do dragão

o amor é simples

a vida é simples e curta

não dá piolho

sem cabelo

nem resposta sem pergunta

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devir-rebordose

 

Noite horrenda:

encontro sexual do comentário

com quem comenta

além da paisagem as dunas

além do sonho os cães

 

roupas de baixo que

são como potes de purpurina:

às vezes há só o resto

e de novo aqui a questão da pele

deixam uma pequena duna

sobre o dedo

 

me perco no gesto

universal de pôr a cara

contra a parede, que está sempre fria

 

pra quê pôr comprimidos

em papéis tão brilhantes

se já eu queria tomá-los antes?

 

pra quê olhos tão brilhantes?

seus olhos são lindos, meu bem

mas poderiam ser de qualquer um

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o sol que nos obriga etc.

 

Há essas vastidões ligadas

por calçadas e elevadores

coisas imensas,

da natureza dos trechos

há, ó céus, os rolling stones

com o mick taylor

há tantas e tantas e tantas

roupas de baixo, sozinhas

e acompanhadas

tanto espaço

vazio a ser compartilhado

 

e o amor, essa ave de rapina

a noite, essa bomba h

a cidade, esse sexo adaptado

caminhar na avenida, fazer

amor à meia luz de poste

que castigo, que sarjeta

que destino, bem

espero o ônibus mas deixo

passar, vai saber

qual deles traz

o fim do mundo dentro

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mau tse-tung ou mal estar de sítio

 

Engradado, adormeço de você

inevitável, vazio de amor

 

as caixas de papelão

que não sabem a plástico

que vaidade no amarelecer

cheias de fita crepe

 

tomaram de assalto o gaveteiro

as estantes a cômoda

a cristaleira os armários

todos

desurbanizado, estou cercado

e seu retrato na parede

como o de um ditador

(sim senhor)

Eduardo Araujo

Eduardo Araujo nasceu e reside na cidade do Rio de Janeiro. É estudante de história da arte (EBA-UFRJ), poeta, músico e eventualmente artista visual. Versa sobretudo sobre as relações entre corpo, desejo e cidade, transitando entre a ironia, a melancolia e o embaraço da linguagem.

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