Fases
Chegar na fase
em que sei exatamente do que preciso,
em qual estante repousam meus sonhos,
e qual deles escolho despertar primeiro.
Chegar na fase
em que o silêncio fala mais alto
do que o barulho que antes
parecia tão urgente.
Chegar, enfim,
ao instante sereno
em que descubro
não apenas o que quero,
mas, sobretudo,
o que já não preciso.
O Rio
Um dia sentarei à margem de um rio.
Um rio distante, límpido,
onde quase nunca se avista o fim.
Quem sabe eu tente atravessá-lo;
no caminho, a nado, talvez eu já não consiga mais
distinguir-me do rio,
entrelaçando-me a ele, tomando-o para mim.
Será quase impossível perceber que estive ali:
não haverá rastros,
pois seremos um só,
fluindo, diluindo, desaguando no mar,
começando uma nova travessia.
Lapsos de Lucidez
Vivo a vida entre momentos de devaneio e lapsos de lucidez.
Percorro um tapete preto que parece não ter fim, trocando tempo por papel — na caça de mais tempo.
Vivo um tipo de solidão povoada: por estranhos que viram amigos, ou amigos que viram estranhos.
Sempre na caça.
Dou o sangue por quem não tem meu sangue.
Dou meu suor por quem sua junto comigo.
Momentos de devaneio.
Lapsos de lucidez.
Sempre na caça.

Marlana Ribeiro, natural do Ceará, é formada em Gestão Financeira e estudante de Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Dedica-se à escrita de contos, poemas e crônicas sobre cotidiano, memória e experiências humanas. Mantém um perfil literário no Instagram, @umacronica_, compartilhando textos que unem sensibilidade e reflexão, dando voz às pequenas histórias e sentimentos que habitam o silêncio.
