MARLANA RIBEIRO – 3 poemas
MARLANA RIBEIRO – 3 poemas

MARLANA RIBEIRO – 3 poemas

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Fases

 

Chegar na fase

em que sei exatamente do que preciso,

em qual estante repousam meus sonhos,

e qual deles escolho despertar primeiro.

 

Chegar na fase

em que o silêncio fala mais alto

do que o barulho que antes

parecia tão urgente.

 

Chegar, enfim,

ao instante sereno

em que descubro

não apenas o que quero,

mas, sobretudo,

o que já não preciso.

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O Rio

 

Um dia sentarei à margem de um rio.

Um rio distante, límpido,

onde quase nunca se avista o fim.

 

Quem sabe eu tente atravessá-lo;

no caminho, a nado, talvez eu já não consiga mais

distinguir-me do rio,

entrelaçando-me a ele, tomando-o para mim.

 

Será quase impossível perceber que estive ali:

não haverá rastros,

pois seremos um só,

fluindo, diluindo, desaguando no mar,

começando uma nova travessia.

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Lapsos de Lucidez

 

Vivo a vida entre momentos de devaneio e lapsos de lucidez.

Percorro um tapete preto que parece não ter fim, trocando tempo por papel — na caça de mais tempo.

 

Vivo um tipo de solidão povoada: por estranhos que viram amigos, ou amigos que viram estranhos.

Sempre na caça.

 

Dou o sangue por quem não tem meu sangue.

Dou meu suor por quem sua junto comigo.

 

Momentos de devaneio.

Lapsos de lucidez.

Sempre na caça.

Marlana Ribeiro

Marlana Ribeiro, natural do Ceará, é formada em Gestão Financeira e estudante de Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Dedica-se à escrita de contos, poemas e crônicas sobre cotidiano, memória e experiências humanas. Mantém um perfil literário no Instagram, @umacronica_, compartilhando textos que unem sensibilidade e reflexão, dando voz às pequenas histórias e sentimentos que habitam o silêncio.

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