O cinema brasileiro construiu uma rica história ao longo da sua jornada cinematográfica. Temos um vasto acervo de filmes dos mais variados gêneros que enfrentaram muitos desafios para conseguir reconhecimento nacional e internacional.
Quando nos referimos ao cinema nacional, não podemos deixar de mencionar um dos idealizadores do cinema brasileiro, o cineasta mineiro Humberto Mauro. As suas produções cinematográficas foram realizadas entre 1925 e 1974, os seus filmes chamavam atenção por enfatizar elementos regionalista, ilustradas pelas belas paisagens do interior, resultando em um estilo próprio, além de misturar componentes do cinema mudo com o falado.
Natural de Volta Grande, Minas Gerais, filho do imigrante italiano Caetano Mauro e da mineira culta e poliglota, Tereza Duarte, Humberto Mauro demonstrou interesse pelas áreas da mecânica e da música. Tinha aptidão para tocar violino e bandolim, estudava engenharia elétrica em Belo Horizonte, mas deixou a universidade no começo do curso, mudando-se para a nova residência dos pais em Cataguases. Na nova cidade, trabalhou como instalador de energia elétrica em fazendas e sítios locais e, futuramente, construiu o primeiro aparelho de receptor da rádio Cataguases.
O diretor iniciou as atividades cinematográficas, na década de 20, na cidade de Cataguases. Os seus filmes representavam a realidade e a cultura brasileira, chamando atenção do espectador para analisar o Brasil dentro de um contexto sociocrítico, causando um forte impacto emocional devido a abordagem realista no roteiro das suas narrativas. Em 1936 assumiu o cargo de diretor-técnico no Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE).
Humberto abriu portas para o ciclo regional do cinema, sendo a principal inspiração da geração do Cinema Novo, Glauber Rocha e Nelson Pereira eram apreciadores declarados dos filmes de Mauro. Devido às limitações da indústria cinematográfica da época, ele não fez carreira internacional, mas foi homenageado no Festival de Cannes, na categoria dos cineastas mais importantes do século XX.
No dia do seu aniversário, 30 de abril, do ano de 2002, em Cataguases, foi inaugurado pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, o Centro Cultural Humberto Mauro. O espaço é reservado para a preservação da memória do cineasta, dedicado a sua vida e obra, além de uma sala de cinema e teatro com capacidade para receber trezentas pessoas e um foyer destinado a galeria de arte onde são expostos trabalhos de artistas locais.

Fabíola Fabrícia é escritora, poeta bilíngue, colunista e professora graduada em Letras Português/Inglês e Respectivas Literaturas e Pós-graduada em docência do Ensino Superior. É uma grande apreciadora de literatura, cinema, música, artes Cênicas e plásticas. Tem seis livros publicados, sendo cinco deles do gênero poesia e um infantil bilíngue português/inglês. Fabíola escreve de uma maneira livre e atual. A autora tem participações em antologias nacionais e internacionais.
