FOLHAS E OLHARES
Contando histórias na Biblioteca Pública de Perus
Sentado embaixo de uma árvore
Fiz um forte e potente recital
Kalimba como musical
Erês se comoveram
Quando folhas das copas banharam-nos no chão
Tempo passa como ventania
É a vida sendo vida
Dando respostas escondidas
Pensando bem,
Escondidas não, guardadas
Resguardadas em cada coração.
MUDO
Poesia é para ser lida
Mesmo que não goste de ler
Poesia é pra ser sentida
Mesmo que não goste de ser
Poesia é para ser feita
Mesmo que não se escreva.
O QUE CABE NA POESIA?
Tem alguém morando na calçada
Recebendo comida, cobertores,
Encarando olhares, madrugadas, chuvas…
A comunidade passa. Alunas, alunos, professores passam.
As mãos atadas seguram o peso da própria questão.
Céu aberto vendo tudo fechado: janelas, portões,
Pensamentos, vendas, aluguéis, solidão, pancadaria…
Ser brasileiro é querer viver
Mas aprender a morrer todo dia.
O que cabe na poesia?

Diego Rbor é poeta, escritor e performer nascido em Taipas, São Paulo. Produz poesia desde adolescente. É autor de 7 livros, lançando agora o Coração Periférico. É idealizador e diretor da Coletive A Arte Liberta, faz oficinas de poesia e escreve na Cultura Infinda, além de partilhar pensamentos e experiências no blog Escritama, há 15 anos.

