MANUELA ALCANTARA NASCIMENTO – 4 poemas
MANUELA ALCANTARA NASCIMENTO – 4 poemas

MANUELA ALCANTARA NASCIMENTO – 4 poemas

N - Logo - separador

Desatenção

 

Caminhando a passos apressados

Minha balança tem estado descompensada

Uma imaginação que vai mais longe do que a sensatez

E mais rápido do que eu possa acompanhá-la

 

Caminhando com olhos dispersos

Cuidando para manter os pés firmes

Evito rostos desafiadores, magnéticos

A desatenção me é escudo para o perigo

Dentro dessa bolha

Não há janelas

Quando passam por mim não os vejo!

E não reconheço as feições que atravessam

 

Caminhando com olhos distantes

Vejo apenas aquilo que depois esqueço

Uma memória obstruída pela areia da ampulheta infeliz

Que faz meus olhos arderem pela poeira

Caminho a passos apressados

N - Logo - separador

Broto de feijão

 

Tão sereno

Quieto, alimentando-se do doce

Quero que tudo te corra bem

Terno desinteresse

Que você tantas vezes dedica a mim

Obstino-me em te chamar

Quero que tudo te seja paz

E tu encontres o açúcar

Talvez sem o paladar

E quem quiser te tirar teu mel

Sei que não sou a mais forte

Mas defendê-lo-ei por ti

Que teu rosto continue assim delicado

És imã de lágrimas em mim!

Me entristeço com tua tristeza

Quero que tudo te corra bem

Meu broto de feijão! Pequena grande cria de urso

Quero que tudo te corra bem

N - Logo - separador

Rememoração

 

A mesma mentira contada várias vezes

E em todas elas eu quero acreditar

Faço costume em negar o que vejo

E confiar na minha razão desleixada ao ponderar

Travoso é o gosto da ilusão

Queima o céu da boca antes de descer ao esôfago

Me deixa querendo mais, insaciável e aos arrotos

Visito o espaço entre os dentes

Onde a água algo deixou

Mastigo, saboreio e cuspo de novo

É fácil esquecer o motivo do ardor

A mesma mentira contada várias vezes

Suco gástrico que volta do estomago

Faço costume em negar o que já provei

E confio que dessa vez

Dessa vez!

Será algo novo

N - Logo - separador

Erro de comunicação

 

Sinto falta das palavras simples

Quando o pouco expressava tudo, e em bom tamanho

Era claro, mas hoje é cândido!

De manhã essou absorta, apaixonada, encantada e me fiz deslumbrar

Mas ontem à noite meu coração só fazia tum-tum

Tum-tum

Tum-tum

Agora te digo que perdi o chão

Peço “engulam-me as marés!”

e que parem as canções

Mas eu só chorava antes

E era suficiente

Me obrigas a dizer que estou exausta, indefensável e latente pelo tesouro

Sim

Meu coração só quer dizer tum-tum

Tum-tum, tum-tum

Manuela Alcantara Nascimento

Manuela Alcantara Nascimento, nascida em 2009, em Belém do Pará (não foi essa que Jesus nasceu) que alimenta sua paixão pela escrita desde que aprendeu a juntar as vogais, as sílabas e as frases. Hoje junta ideias, mas prefere as sílabas. Escreve como uma extensão de si e de quem é, seja isto sobre memórias ou sobre pessoas que conhece. Fala francês, inglês e espanhol. Mas nenhuma destas lhe é tão íntima como a última flor do Lácio, o português. Arrisca-se no violão e sonha com a Medicina. Sonha com as palavras também.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *