Nostalgia
pura carniça
que fede e enfeitiça
a mosca que zomba
em cima do artista
é a nostalgia
roubando minha vida
enquanto remendo
o que já foi passado
deitado de lado
e sempre acordado
quem sabe eu não passo
direto e não caio
na mesma armadilha
que suga energia
que fede e enfeitiça
é pura carniça
Delirium Tremens
tenho estado em coma induzido
sanidade em estado de sítio
me repito desde criança
eu quero sair da infância
autossabotagem é sinapse
é delírio que me faz parte
penso que o estrago é catarse
submeto-me ao ultraje
mantenho-me preso em amarras
tomo ao pé da letras minhas aspas
se estou solto, faço o retorno
é meu ponto de virada
decoro que faz vírgula de ponto
ponto que se adia à outra linha
de noite, controlam minha vida
meu deus, já está de dia
Querubim, cê promete pra mim
que eu não vou cair
enquanto eu resistir?
ore por mim
estando por aqui ou por ali
não me deixe cair
mesmo se eu pedir
Monotonia
Chuva de cigarro
Brasa na pista
Trago pro lado
Já é quase dia
Estou sufocado
olhando pra cima
Grito queimado
de mais uma rima
Palavras ecoam
e a mente ensina
qual a expectativa
do prazer da companhia
e reafirma
a falta de sorte
do problema da vida
ser a morte

Kevin Kretzu é, antes de mais nada, um escritor frustrado que viu nas palavras a busca para dar sentido às suas angústias. A leitura é o traço mais compulsivo que herdou da infância. Formado em Comunicação, trabalha com social em ONGs de São Paulo e Rio de Janeiro. Autor do livro de poesias Meu Sublime (Opera, 2024).

Um poema mais incrível que o outro! Parabéns, Kevin