Cerrado em chamas
Sob o véu da ideologia
(dominante)
Fumaça
Delírio
Fumaça.
Camadas e camadas em névoas de pessoas
(ocas)
Fumaça:
embaça, camufla e rechaça.
Sob o céu da ideologia
(dominante)
Não há o que Ser
o que ver
Fumaça.
Queimada a bio
restou
leve e densa cortando o ar
expectativas que se desfazem em pequenas ondas
até acabar.
Passageira nos Campos Verdes
Por aqui passam sonhos, promessas
chegadas, partidas,
– lugar do impermanente–
Permanece (só) no plantio
de grão em grão a renascer.
Sepultada a última árvore
quanto resta do pouco cultivado?
Chega à partida inesperada.
Passagem.
Fica a memória, a vontade e a saudade
do que nunca conseguiremos recuperar.
Solo infértil e massacrado,
sovado e nutrido com o sangue derramado
Morte com nomes rebatizados:
Acetato
Atrazina
Glifosato.
Devir
Enquanto minha mente me direciona para quem sou
ou para quem não quero ser,
eu enrolo o tempo entre os dedos tentando conter a emoção,
[é difícil não transbordar, apesar do olhar louco)
Ela dá voltas em mim
de cima a baixo
fio solto que volto a enrolar
Na superfície do tempo não [re]visitado
Fixo]
perda de agora
ou
de haver Ser
Eu
Ele
a
Morte* que mia [profundamente] alto lá do fundo da gaveta.

Meu nome é Judi Olli. Nasci em Bodocó – PE no sertão nordestino, e cresci na periferia de Cuiabá, capital mato-grossense. Atualmente, resido em Campo Verde, no interior de Mato Grosso. Sou poeta, escritora, professora de Língua Portuguesa e de Arte, além de mestra em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso (2019). Possuo diversas publicações em revistas, antologias e escrevo/posto periodicamente nas redes sociais.

