DÉBORA BRANCAGLIÃO – 4 poemas
DÉBORA BRANCAGLIÃO – 4 poemas

DÉBORA BRANCAGLIÃO – 4 poemas

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Sangue

 

Eu tomei alguns cuidados,
mas sangrei.
Algumas coisas, ou
todas as coisas estão fora do nosso controle.
Agora, essa parte úmida e vermelha escorre pelas páginas
e revela uma parte que parte de mim.

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A Torre

 

Ele disse que não queria mais.
Não daquele jeito.

Impôs suas regras,
eu aceitei.

Me feri profundamente
para dar a ele
o meu amor,
para sustentar
nossa história.

Me abandonei
e fui abandonada.

O chão era minha casa,
as lágrimas,
um refúgio
da dor.

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Fragmentos

 

Esses estilhaços
que não se desprendem,

entram na carne
eu sigo
fragmentada.

Fragmentada na emoção:
andei me juntando,
não me senti.

Durmo, dormente,
com pouca doença,
mas muita
dor.

Remoendo o ser,
cansando ao máximo
minha imperceptível
existência.

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Rugido

 

O movimento,
um rasgo psíquico.
Vai e vem de encantamento.
Uma história, um trauma, um pertencimento.

O corpo: ora puma, ora leoa,
mas sempre onça-pintada.

A presença do corpo,
o ser condensado em animal.

O aspecto feminino, que parece sensível,
mas é profundo e visceral.

O ser por detrás do parecer
num rugido,
já não se esconde mais.

Débora Brancaglião

Débora Brancaglião nasceu em Jaú-SP e atualmente reside em São João del-Rei-MG. É artista e licenciada em Artes pela Universidade Federal do Paraná, além de mestranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Artes, Urbanidades e Sustentabilidade da Universidade Federal de São João del-Rei. Iniciou sua trajetória artística com pintura e fotografia, expandindo posteriormente sua prática para instalações, colagens e audiovisual. A escrita sempre permeou seu processo criativo, constituindo uma fonte essencial para grande parte de suas obras. Atualmente, dedica-se à dissertação e à produção artística que dialoga com a arte contemporânea, explorando temas como corpo, feminismo e, em especial, corpos gordos. Seus trabalhos expressam, de maneira autobiográfica e poética, vivências e percepções profundas sobre essas temáticas.

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