Em um banco azul, velho, enferrujado e esquecido, ali estava Ana à espera. O ferro rangia e o silêncio pairava no ar. Tudo ao redor estava imóvel. Ana, todos os dias, às 10 horas, aguardava o ônibus próximo à sua casa. Mas era naquela manhã de uma segunda ensolarada que algo estava prestes a acontecer.
Ela morava sozinha, sem filhos, sem esposo. Nunca se casou e o amor parecia algo impossível. Seu trabalho era a sua única companhia. O chefe era rígido e não permitia atrasos. Sua vida tinha virado uma repetição cansativa e exaustiva. Casa e trabalho, trabalho e casa.
Ana acordou cedo, como todos os outros dias, tomou seu banho, se vestiu, preparou seu café com leite e panquecas, pelo qual gostava muito e lembrava sua infância, pegou sua bolsa e saiu. Saiu caminhando abatida, mesmo tendo se alimentado, afinal, não havia tido uma boa noite de sono. Tinha os cabelos pretos e seus olhos verdes desbotados.
Era jovem ainda, mas a sobrecarga do trabalho a deixava envelhecida. Ao chegar na parada de ônibus, tudo parecia igual como todas as outras segundas-feiras, nada de diferente. Perto do banco em que estava sentada, a presença misteriosa de um cachorro, como se estivesse surgido das sombras.
O ônibus demorava, e Ana ficava cada vez mais apreensiva pela demora. Afinal, chegaria no trabalho atrasada, coisa que não era de seu costume. Não havia ninguém ali naquele ponto. Mas o que estava acontecendo? Só era apenas ela e o cachorro. E os minutos se passavam.
Não apareceu mais ninguém. Nenhum táxi, nenhum ônibus qualquer. O que seria de Ana? O cachorro tentava se aproximar dela, e ela o ignorava. O cachorro, com os olhos arregalados, olhava Ana com um olhar de dó e piedade. O cachorro olhava Ana fixamente como se quisesse dizer algo e entendesse a sua exaustão. Uma troca de olhares silenciosa.
Ana, cada vez mais, se irritava. Começou a suar frio, seus lábios sem cor e seu rosto pálido. Eis que sua pressão cai e ela desmaia no banco azul velho e esquecido. Após alguns minutos, uma presença humana surge. Era uma mulher alta, de cabelos pretos como a escuridão, usava óculos e tinha um rosto sereno. Trazia nas mãos uma coleira e parecia ofegante, cansada, como quem corre atrás de algo.
— Calvin, aí está você, amigão — disse, sentando-se no chão aliviada, enquanto pegava o cachorro no colo. — Estava querendo brincar comigo, hein?
A moça percebe então a figura caída no banco.
— Senhora, senhora… você está bem?
Ana desperta aos poucos, tentando enxergar em meio à luz do sol que atrapalhava sua visão. Tudo estava embaçado e ela pergunta:
— Meu ônibus já passou?
E a moça responde:
— Como assim, passou? Hoje é feriado, senhora. Quer que eu a ajude a voltar para casa?
Ana olha para a jovem com o cachorro no colo e, antes que pudesse dizer algo, desmaia novamente.

Iana Souza é estudante de Licenciatura em Letras Português e Inglês, no IFCE- Campus Baturité . Tem apenas 24 anos, apreciadora da Literatura, apaixonada por Clarice Lispector, sobretudo pela Literatura Brasileira e também Poesias . Ama escrever análises literárias e recentemente resolveu se aventurar na escrita, sobretudo Poemas e Micro conto. Além disso, é uma apreciadora da História e da Arte. Iana não usa a escrita como entretenimento, mas como uma forma de prazer, em que por meio das palavras, ela destaca sentimentos e vivências,sejam elas pessoais ou observadas. Iana ainda acrescenta que escrever é um processo de autoconhecimento, envolvendo no meio do caminho perdas, encontros e descobertas. Ademais, busca instigar a reflexões e revelar a realidade através das palavras.

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