NAVALHAR É PRECISO – VERÔNICA CORAL – [entrevista]
NAVALHAR É PRECISO – VERÔNICA CORAL – [entrevista]

NAVALHAR É PRECISO – VERÔNICA CORAL – [entrevista]

Em meio à campanha de financiamento de seu novo romance, Os Jardins, que vai chegar ao público pelo selo Goyazes/Kotter, conversamos com a escritora Verônica Coral sobre os caminhos que atravessam sua obra. Entre memória, culpa e os diálogos com a Divina Comédia, a autora revelou detalhes do processo criativo, falou sobre personagens que escapam de julgamentos simples e refletiu sobre os símbolos que sustentam a narrativa. Nesta entrevista, convidamos Verônica a abrir os portões de seus jardins e compartilhar um pouco do percurso que construiu esse universo literário.

REVISTA NAVALHISTA – Sabemos que muitos romances citam clássicos da literatura, mas em Os Jardins (Goyazes/Kotter,2026) a impressão é de que a Divina Comédia funciona como uma engrenagem estrutural da narrativa. Em que momento Dante deixou de ser apenas uma influência e passou a ocupar a função de arquiteto do romance? O que a jornada de Mia permitiu que você revisitasse ou reinterpretasse da obra dantesca?

VERÔNICA CORAL – A Divina Comédia quase nasceu de forma orgânica e casou com todos os momentos das personagens no momento da primeira versão. A influência e a inspiração, foi como toda estrutura do livro, baseada em minhas experiências reais de vida. Em 2021, eu passei pelo luto e pela depressão, sendo este livro o único que consegui ler em 2022 e voltar a ter esperança. Diante desse contexto, eu enxerguei a saga Dantesca no romance Os Jardins, assim como a vivi na minha vida pessoal. Na reescrita, eu apenas aprofundei a pesquisa e fundamentei toda a estrutura, no entanto, nunca consegui separar a ideia de paraíso, inferno e purgatório da vida de Mia e Maicon, que assim como nós, tem seus momentos dessas passagens que servem como aprendizado em nossas vidas.

R.N. – Ao longo do livro, França, Espanha e Brasil assumem papéis que dialogam diretamente com Inferno, Purgatório e Paraíso. O interessante é que esses espaços não parecem apenas geográficos, mas estados da alma. Agora diga para gente, se você acredita que toda existência humana passa por esses três territórios? O que mais lhe interessava investigar nessa travessia?

V.C. – Sim, eu acredito que todos nós de uma forma ou de outra passamos por estágios mentais e físicos, que metaforicamente se tornam um inferno. Diante disso, a forma que lidamos com essas mesmas, é o que defini essa questão de purgatório e paraíso. Para mim, a ideia, vai além dos conceitos religiosos e fica implícito num âmbito mais abrangente as doenças mentais, dificuldades, injustiças sociais e violência psicológica contra mulheres em especial. Sempre tive como objetivo que essas pautas, disfarçadas de romance, pudessem alcançar as pessoas para a conscientização de que as violências levam a questões graves, como depressão, auto mutilação e ansiedade.

R.N. – Numa leitura mais rápida poderia enxergar alguns personagens como satélites da trama principal. No entanto, ao observar personagens como Estela, Augusto, Henrique, Helen ou André, percebemos histórias que poderiam sustentar narrativas próprias. Eu sou do time que gostaria de saber mais. Ao construir o romance, você pensava nesses personagens como extensões da trajetória de Mia ou como consciências independentes que ocasionalmente cruzam o caminho dela?

V.C. – A impressão de personagens satélites foi proposital por ser um tema muito difícil de ser digerido, como o luto. Então eu precisei ir atraindo o leitor de forma mais sedutora, com um belo romance. Confesso que ao escrever, senti que não estava sendo justa com as personagens e fui desenterrando seu passado. Henrique existe em meus escritos desde 2000, assim como Alexandre, Verônica e Augusto. Mia e Maicon, são mais jovens, nasceram em 2011(Mia) e 2014 (Maicon). Resumindo eu escrevi um romance em 2000, outro em 2011 e outro em 2014, e decide unir todos na saga familiar, Os Jardins. Todas as personagens tem a sua função na vida dela, seja boa ou ruim, assim como ela desempenha um papel na vida deles. É uma troca, onde a intenção é desenterrar a raiz de toda causa e efeito. Como na vida real, tudo é conectado e interligado. Não vivemos isolados e sim em sociedade, as personagens também funcionam nesse esquema de cadeia de relações.

R.N. – Algo que chama atenção é que mesmo os personagens responsáveis por grandes danos não são tratados de forma simplista. Henrique, por exemplo, provoca repulsa em muitos momentos, mas também desperta reflexão sobre abandono, solidão e afeto distorcido. O que você busca quando cria personagens que desafiam julgamentos fáceis? A literatura perde força quando divide o mundo apenas entre inocentes e culpados?

V.C. – Eu sempre observei a ideia de que o bem e o mal coexistem ao mesmo tempo. As personagens são na verdade, como nós, fazem escolhas, cometem erros e colhem suas consequências. Para desenvolver esse conceito, me fundamentei em Paulo Freire, que nos diz que o oprimido será o opressor, diante disso, temos o Henrique por exemplo, que foi uma vítima das circunstâncias e faça escolhas erradas, mas porque alguém o negligenciou em algum momento. Outro ponto é observar, a minha convivência como educadora, a prova que as dificuldades não podem ser romantizadas, mas sim, enfrentadas com acolhimento para termos um sujeito mais consciente. Sobre a força da literatura, acredito que as personagens precisam ser mais realistas, para causar impacto na sociedade. Construir vilões e mocinhos, não causa muita reflexão, na minha visão como educadora, pois não exige um posicionamento mais político diante da leitura. É claro que há quem aprecie e escreva leituras mais fáceis, e não está errado, pois forma leitores, mas no meu caso eu a enxergo, como forma de transformação e reflexão mais profunda. No entanto, tenho consciência que nem todos estão preparados para enfrentar essas realidades.

R.N. – Toda literatura nasce de uma visão de mundo e de uma teoria do belo, mesmo quando não declarada. E aquilo que o autor acredita ser o coração da arte. Na sua escrita, o que é o “belo”? Onde ele está? Há algum pensamento teórico que dialoga com o modo como você constrói o encanto e a beleza dentro do seu livro?

V.C. – Para mim o belo está em atravessar a alma das personagens e revelar seus abismos mais profundos sem nenhum pudor. Acredito que enfrentar a realidade nos transcende. A verdade nos libertará, essa é a minha filosofia por influência Cristã e além disso, por experiência pessoal. Paulo Freire é também quem admiro e por consequência me influencia como escritora e educadora.

R.N. – A perda de memória de Mia poderia ser apenas um recurso de suspense. No entanto, ela acaba se tornando uma reflexão sobre identidade e verdade. Queremos saber, se você puder nos revelar, o que mais lhe interessava explorar: o mistério daquilo que foi esquecido ou o impacto que certas lembranças exercem sobre quem nos tornamos?

V.C. – A verdade é que quando desenvolvi a história no ano 2011, Henrique e Mia eram um par romântico. No entanto, o comportamento dele era de um homem abusivo e confesso que pela minha imaturidade da época, não percebia. Ele, um homem rico, branco, olhos claros, culto, europeu, o par perfeito para ela, assim como o sonho de muitas garotas brasileiras. Ao decorrer dos anos a história não se desenvolvia e  eu não conseguia separar os dois, até que em 2014, resolvi voltar a escrever e criei um capítulo onde Mia estava brigada com ele, porque eu  estava cansada dela e da sua fraqueza, queria uma personagem forte e comecei escrever uma outra história, Augusto e Melania, mas a Melania era ex-mulher do irmão, Maicon, um sujeito estranho e introspectivo que cuidava dos jardins do hotel onde Mia foi passar uma temporada, (porque eu não me desapegava dela), Augusto era o chefe de cozinha e a cena era entre ele e Melania, no entanto, o irmão, não me lembro porque, eu o vi no pé da escada, meio escondido observando o movimento de uma festa fora do hotel e foi então que Mia desceu as escadas e ele a viu… E eu o vi… eu o enxerguei… e tudo mudou. Em 2018 decide voltar a escreve-los, mas a sombra de Henrique pairava sobre minha mente, foi quando tomei a decisão de tirar a memória dela, só assim tudo iria mudar. Portanto Os jardins, é um diário de uma resistência a ideias patriarcais que nos são passadas e a amnésia uma metáfora para o recomeço, para reconstrução sem amarras do eu. Posteriormente, eu pensava sobre o fato, se pudéssemos recomeçar, seríamos outros, ou voltaríamos para as mesmas teias do passado? A reflexão será para cada leitor.

R.N. – A capa de Os Jardins (Goyazes/ Kotter,2026) traz um detalhe muito interessante que talvez passe despercebido numa observação rápida. A presença da cor vermelha, especialmente quando observada com atenção, parece sugerir rostos ocultos, quase como figuras que observam o leitor e anunciam a entrada em outra dimensão da narrativa. A sensação é que começamos a leitura acreditando estar diante de uma história de amor, mas aos poucos somos conduzidos para territórios cada vez mais sombrios, até percebermos que já atravessamos um portal semelhante ao de Dante. Essa construção foi pensada desde o início? O quanto a experiência do leitor foi planejada para funcionar como uma descida gradual rumo ao inferno junto das personagens?

V.C. – A construção inicial foi planejada e escrita em três momentos, daí surgiu a primeira versão com inspiração nas camadas da Divina Comédia, pela minha experiência de vida com o livro. Eu não li Dante, eu vivi Dante e o trouxe para a saga, no entanto, conforme eu escrevia precisava desvendar o passado, voltava e escrevia e voltava no presente, com isso fui tendo a sensação de entrar dentro de um portal, de um labirinto onde as personagens pareciam me gritar. Quando terminei a primeira versão, me sentia dentro da série Dark e chorei por 15 dias, alguma coisa estava errada, era como um luto. Então, comecei a leitura crítica meses depois e conforme ia relendo, sentia ou ouvia o grito das personagens e fiz justiça. Acho que “Os jardins” têm vida própria. Quando acabei em março, senti que havia terminado mesmo, que eles haviam enfrentado o inferno e eu também. Às vezes tinha a sensação que o próprio Dante me chamava.

R.N. – A capa verdadeiramente nos capturou a atenção. Voltemos a ela. Seu romance traz a pintura Walk (Road of the Farm Saint-Siméon), de Claude Monet como capa. O curioso é que a imagem apresenta um caminho, um convite à travessia e à descoberta, elementos que também estruturam a jornada da personagem Mia ao longo do romance. Em que momento essa obra passou a dialogar com Os Jardins (Goyazes/ Kotter,2026)? O que havia nessa estrada pintada por Monet que a tornou uma representação tão adequada para o universo do livro?

V.C. – A capa foi desenvolvida pela Goyazes/Kotter e eu fiz algumas sugestões. O capista leu a obra e conseguiu trazer com maestria para o mundo físico. A estrada na França, simboliza a ida para a Europa, para o sonho que pode se tornar um pesadelo, pelos fatos que ocorrem por lá. As árvores escuras e as sombras são uma referência a Dante e a mata escura que está atraindo o leitor, o que ele não sabe é que essa beleza, também pode levar ao inferno, e isso também pode ser interpretado como escolhas erradas, disfarçadas de encanto e caminhos… que nos enganam. Mas se você olhar por outro ângulo, foi na estrada da França que Mia sofreu o acidente, e mesmo com o inferno ao redor, renasce dos escombros da sua mente e recomeça. É para pensar e sentir. As sombras são a psique das personagens, que estão ocultas para nós até determinado momento. Quando olhei a capa pela primeira vez eu pensei, não tem nada da mata atlântica, mas daí olhei novamente, vi os rostos gritando no inferno, vi a beleza do portal da estrada, vi o portal de os jardins chamando …sendo aberto… eu me apaixonei…

R.N. – Estela talvez seja uma das personagens mais fascinantes do romance porque escapa de categorias simples. Ela é mãe, sobrevivente, imigrante, protetora e, ao mesmo tempo, responsável por decisões que geram sofrimento. Como foi construir uma personagem que desafia a ideia tradicional da figura materna? Em algum momento ela acabou surpreendendo você durante a escrita? Revela para gente.

V.C. – Estela é aos meus olhos, maravilhosa, ela é determinada, elegante e decidida, exatamente como minha mãe foi. Então ela, foi inspirada na minha mãe, que nunca aceitou que ficássemos chorando pelos cantos e que sim, fôssemos resolver nossas vidas. Ela me surpreendeu quando se lembrou de Alexandre em uma cena e eu não esperava isso dela, mas segui com minha intuição. Acho que a Estela representa muitas mulheres que criam filhos sozinha, que lideram, que amam e que tomam decisões, independentemente se serão boas ou não… ela age, luta e segue para proteger quem ama. Em Os jardins, ninguém é bom ou mau, todos carregam a sombra e a luz.

R.N. – Entre todos os personagens, Henrique, aposto eu, seja o mais difícil de enquadrar. Ele reúne violência, fragilidade, abandono e desejo de pertencimento. Durante o processo de criação, houve momentos em que você sentiu mais compaixão por ele do que condenação? O que considera essencial para compreender sua tragédia?

V.C. – Eu tive compaixão por ele por muitos anos em outros manuscritos e percebi que ele representa algo que não deve ser aceito pelas mulheres, por isso minha decisão de tirar suas máscaras foi a mais sensata, embora eu saiba que ele não é quem todos esperam que ele seja, ele errou, mas muitas vezes protegeu Mia também, ao longo da história saberemos que nem tudo é o que parece, as pessoas mentem e ninguém é de fato, quem parece ser. A tragédia de Henrique é de um homem que sendo abandonado, nunca foi acolhido como deveria ou quis ser e isso o marcou profundamente em 1990. Ele se sentiu tão sozinho que desenvolveu seu lado ruim com mais ênfase. O dinheiro não o salvou e nada foi suficiente para suprir a ausência dos pais. Não posso revelar porque ele tem mágoa ou quem ele quis ferir com suas ações, mas certamente amaremos e odiaremos alguns personagens, quase num paradoxo.

R.N. – Augusto comete um ato que altera profundamente a vida dos protagonistas, mas sua trajetória posterior é marcada por arrependimento e tentativa de reparação. Você se interessa pela ideia de que algumas pessoas passam a vida tentando responder por uma única escolha? Até que ponto a literatura pode ser um espaço para discutir responsabilidade sem reduzir personagens aos seus erros?

V.C. – Ao longo da narrativa vamos perceber que o Augusto não tenta agradar ninguém, ele simplesmente é autêntico e não é quem o leitor vai esperar, exatamente como você perguntou… teremos muitas surpresas com esse personagem, que é o meu favorito. A literatura é um espaço para reflexão e discussão, por isso eu quis trazer à tona comportamentos que já presenciei e observei, que agradando ou não, é a realidade. Augusto erra, mas os outros o colocam em julgamento, ele mesmo, é seguro de si e vive de uma forma singular, que às vezes, pode parecer fria.

R.N. – Jardins aparecem como imagem recorrente de cuidado, cultivo e reconstrução. O curioso é que um jardim nunca nasce pronto porque ele exige tempo, perdas, poda e além de tudo espera. Quando escolheu essa imagem para dar título ao romance, você já sabia que ela se tornaria uma chave de leitura para toda a trilogia? O que um jardim consegue dizer sobre a condição humana?

V.C. – Eu escolhi o título, porque tudo começou em um jardim em 2014, com uma rosa, com uma cena e posteriormente todas as cenas de impacto estão nos jardins. Outro motivo, para além de muitos, é que tenho uma ligação forte com a natureza, com o cultivo da terra. Desde criança sempre amei jardins. Meu livro favorito era O jardim secreto e eu já reli muitas vezes. Eu também queria um título brasileiro, curto e que não fosse muito comum. Sem contar que vejo o cultivo, a espera o cuidado, como uma metáfora para a vida da Mia, é um título muito amplo e perfeito aos meus olhos, que lembra clássicos como Os Maias, “Os miseráveis. A verdade suprema é que só consegui deixar a Mia feliz quando ela assume que ama o Brasil e quer viver aqui. Os jardins então, é o reencontro dela com a terra, com a vida e com ela mesma. As terras dos jardins: nosso país; as plantas: a vida; os pássaros: liberdade e as raízes:  tudo que a cerca e a define, a infância, o pai, os valores…Maicon é a Mata Atlântica, é o começo e o abraço sem julgamentos. É o respiro da floresta diante do caos.

R.N. – Além de Dante, o romance dialoga com autores, músicas, tradições religiosas e referências culturais diversas. Em vez de ornamentação, essas referências participam da construção de sentido. Como você decide quando uma referência enriquece a narrativa e quando ela corre o risco de se tornar apenas citação?

V.C. – A cada citação inserida, houve um processo de pesquisa, leitura crítica e intertextualidade. Como professora de linguagem, essa ideia de unir citações ao contexto já me é familiar e eu consigo enxergar as obras ou as referências no dia a dia. Então tudo é pensado desta forma, como uma releitura sensível, para ajudar o leitor também, a entender os clássicos. Na verdade, minha intenção sempre foi essa, que o leitor consiga ver onde cabe Santo Agostinho em sua vida, por exemplo ou Machado de Assis, usando os jardins como referência.

R.N. – Vivemos um momento em que muitas narrativas apostam na velocidade e na simplificação. Os Jardins (Goyazes/Kotter,2026) segue outro caminho, exigindo atenção, releitura e disposição para lidar com símbolos, múltiplas temporalidades e personagens complexos. Que tipo de encontro você espera estabelecer com esse leitor? O que ele precisa aceitar antes de entrar nos seus jardins?

V.C. – Primeiramente querer ser livre do vício das redes sociais, se desapegar da vida corrida e acima de tudo, de não seguir o modismo atual, do imediatismo. Os Jardins é denso, e sei que as pessoas não leem obras assim com frequência, lido com isso todos dias, portanto quis construir um universo para, prender esse leitor atual. Tentar fazer minha parte, mesmo que pequena, diante de um cenário tão preocupante, onde os adolescentes e crianças não querem ler, pensar, esperam tudo pronto e o mais fácil possível. Sou assim nas minhas aulas também, Os Jardins não é simples porque eu também sou complexa.

R.N. – Ao longo desta conversa falamos de memória, culpa, pertencimento, reconstrução e dos muitos jardins simbólicos que habitam o romance. Quando imagina alguém fechando a última página de Os Jardins (Goyazes/Kotter,2026), qual experiência você gostaria que permanecesse com esse leitor? Há alguma pergunta que espera que ele leve consigo para além da leitura?

V.C. – Eu espero que o leitor saia com mais força para ser quem é, sem medo de enfrentar as dificuldades da vida. A pergunta que ficará é: O que é o começo? Qual é a verdade?

R.N. – Sabemos que muitos leitores, ao conhecerem um livro por meio de entrevistas e resenhas, terminam a conversa já procurando onde encontrá-lo. Para quem deseja iniciar essa travessia pelo seu novo romance Os Jardins (Goyazes/Kotter,2026), onde o livro pode ser adquirido? Há algum canal, livraria ou projeto de divulgação que você gostaria de destacar aos leitores?

V.C. – O livro está em campanha de benfeitoria até agosto e pode ser adquirido pelo link que está na minha bio, ou neste link:

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R.N. – Entrevistas sempre acabam deixando assuntos pelo caminho. Por isso, gostaria de encerrar abrindo espaço para aquilo que não perguntamos. Existe algum aspecto de Os Jardins (Goyazes/Kotter,2026), de sua trajetória como escritora ou dos próximos passos desse universo narrativo que você gostaria de compartilhar com os leitores e que considera importante para compreender melhor a obra?

V.C. – Os Jardins é o livro 1, de uma trilogia que se estende em O espelho (já em leitura crítica) e A floresta livro 3. A saga da família termina com Gabriel e o relógio, símbolos recorrentes do tempo e da memória. Como em um símbolo infinito, nunca saberemos qual livro originou o primeiro. A ideia será sempre uma escolha do leitor. Muito além de cultivo e recomeço, Os Jardins esconde raízes, traumas. Sagrado e profano andam juntos numa teia cercada pela superação das doenças mentais. Quero aproveitar esse espaço para agradecer a Revista Navalhista pela atenção e cuidado com a literatura contemporânea e em especial comigo, que comecei a trilhar este caminho.


Verônica Coral Venâncio é escritora, pedagoga, especialista em Educação Especial e licenciada em Letras/Português/ Inglês. Nascida em Santa Cruz das Palmeiras, interior paulista, atua na rede pública de ensino do Estado de São Paulo, unindo a docência ao compromisso com a transformação social. Como romancista, dedica-se ao suspense e à literatura psicológica, explorando traumas e a mente humana. Influenciada por clássicos como Dostoiévski e Kafka, estruturou Os Jardins, o primeiro volume da sua trilogia (O Espelho e A Floresta), com base na simetria de A Divina Comédia.

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