CULPA
Podia ter ajudado
não me faria falta,
a escolha de não ajudar foi minha
não me faria falta,
a escolha de não ajudar foi minha
era irrisória a quantia
foi tão cômodo não ajudar,
agora é isso que me resta
esse sentimento turvo
foi tão cômodo não ajudar,
agora é isso que me resta
esse sentimento turvo
tentar não pensar nisso
me faz pensar ainda mais;
a fome deve doer
me faz pensar ainda mais;
a fome deve doer
nas margens da minha imperfeição
deixei meu lado mesquinho prevalecer,
e agora como fico?
na testa está escrito “não tenho senhor.
deixei meu lado mesquinho prevalecer,
e agora como fico?
na testa está escrito “não tenho senhor.
O GATO VESGO
Vive de abandono,
se alimenta de rejeição,
espera for afeto
e recebe olhares de desprezo
se alimenta de rejeição,
espera for afeto
e recebe olhares de desprezo
sonha em ser gato de madame
não precisar caçar,
a calçada a noite é muito fria
o incômodo é constante
não precisar caçar,
a calçada a noite é muito fria
o incômodo é constante
os frios olhares de desdém
comunicam o ser frívolo que ele é,
comunicam o ser frívolo que ele é,
levantou-se para atravessar a rua,
é vesgo, não viu o carro
ou será que viu?
assim foi sua partida.
ALIANÇA NO MAR
O sol brilhava como nunca,
a bebida estava no ponto certo,
meu amor olhava-me com desejo,
as ondas estavam animadas.
a bebida estava no ponto certo,
meu amor olhava-me com desejo,
as ondas estavam animadas.
os ouvidos atentos aos causos da mesa ao lado
que sempre foi nossa maior diversão
que sempre foi nossa maior diversão
no céu as nuvens escreviam a palavra “férias”
letras garrafais que ofuscavam os afazeres laborais
letras garrafais que ofuscavam os afazeres laborais
tudo isso se findou
no balançar das águas do mar
a calmaria se foi
as palavras no céu se dissiparam
no balançar das águas do mar
a calmaria se foi
as palavras no céu se dissiparam
um pedaço de ouro que muito simboliza
resolveu me abandonar
o mar que levou sequer agradeceu
resolveu me abandonar
o mar que levou sequer agradeceu
momentos de silêncio e reflexão.
A DESESPERANÇA DO EU
Hoje me apago
para tentar perceber o mundo,
o mundo que resido
me percebe como só mais um.
para tentar perceber o mundo,
o mundo que resido
me percebe como só mais um.
Edgar Morin tinha razão
sou só mais um na cultura de massas,
sou só mais um na cultura de massas,
brincar de ser é complicado
nos dias de hoje é melhor não ser,
é cansativo tentar ser
melhor permanecer no esquecimento.
nos dias de hoje é melhor não ser,
é cansativo tentar ser
melhor permanecer no esquecimento.

Ramon Oliveira é maranhense da cidade de Lago da Pedra. Atua como professor efetivo na rede pública municipal na cidade de Santa Inês-MA desde de 2020. Além de professor e poeta, o mesmo é mestrando pesquisador no programa de pós-graduação em letras (PPGLB) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), onde pesquisa poesia, literatura de cordel e literatura de autoajuda. @ramon_olliveira
