Padilha
Pra trilhar um caminho que brilha, Padilha!
Comunica a mensagem que guia, Padilha
Trilhas abertas palavras na mente
E você, sente ela que entre a gente?
Se não entende, fica esperta moça
Que acha que Exu mulher fica contente!
Poema Temperado
Bem quente me derretendo,
teu cheiro me faz salivar
Me pego louca a pensar,
em você me envolvendo
Misturando nossos sabores culturas e paladares
Vibro nos nossos olhares
Parecem jabuticabas que plantam em alegria
Nosso tempero me faz desejar
Teu gosto de poesia.
Testo a Textura Tua
Gosto da textura do teu corpo,
quando o suor te veste de sol.
Gosto do sal que escorre,
gota doce que me toca o rosto e lambuza o corpo
feito chuva morna de desejo.
Gosto da tua pele viva,
da cor que desperta,
um calor que me cerca e me chama.
Em teus abraços,
sou casa acesa
e em teu calor,
me reconheço chama.
Quando te aproximas
tudo em mim se desarma,
já não quero mais fugir,
as pernas amolecem,
a respiração se perde,
e o tempo se curva ao nosso dengar,
feito meu corpo que te quer.

Suzana Amorim, 33 anos, artista visual, historiadora, escritora e produtora cultural. Minha poética atravessa corpo, memória e explora o feminino e a ancestralidade afro-brasileiras em diálogo com práticas contemporâneas. Criadora de projetos como LEART, As Quatro Estações e o livro boomerang, desenvolve trabalhos que unem arte, sustentabilidade e afeto, propondo experiências coletivas e processos de cura através da criação artística. Vive e trabalha em Salvador (BA).
