BRUNO BARBOSA – 4 poemas
BRUNO BARBOSA – 4 poemas

BRUNO BARBOSA – 4 poemas

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Narciso

 

Dispenso suas vênias.

Dispenso suas medalhas.

Dispenso sua pena.

Condecorações só atestam minhas falhas.

Lembram-me do que odeio ser.

Estou farto.

Não diga o que posso ou não fazer.

Não mereço o que tenho,

tampouco mereço algo.

E não tente me convencer do contrário.

Não me coloque num caixão;

não me vista;

Despedace meu terno e arremesse o cadáver nu para os abutres;

Dessa maneira serei mais útil que fui em vida.

Preciso de alguém que não me consoles

Que venha e diga:

“Não és ninguém, continua sendo ninguém;

jogou sua vida fora.

Sabe por que?

Por nada”.

E se pudesse voltar

Erraria de novo;

terrivelmente pior;

um erro crasso atrás do outro dotado de um prazer acachapante;

Quando eu partir, não chores;

me desfiz de mim,

não sinto mais nojo.

Assumi minha mediocridade,

coisa que outros abominam.

Embora reconheçam seu próprio cerne.

Veem sua mediocridade e descartam.

O homem deixou de ser humano;

e eu deixei de ser imundo.

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Viste

 

Finjo que escrevo

Finjo que trabalho

Ignoro quem eu devo

Desconheço o quanto valho

 

Estou cercado de fingidos

Pensava serem verdadeiros

No entanto, todos imaturos e descarados

Me acalenta não serem sinceros

 

Cresci e não compreendi

Como se me faltasse o mapa da vida adulta

Atestei, de forma tardia, quando finalmente vi

Emulam maturidade e todos carregam culpa

 

Não existes santos

Quanto mais cartógrafos 

Continuamos livres, a contragosto, soltos

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Cinza

 

Foi nos roubado a essência

Como sempre o fizeram

O cinza reina

 

Olha o que fizeram conosco

Classe de invejosos

Nos mantém na escuridão do fosco

 

Nos subordinam como ratos

Invejam nossa perfeição

O trabalho de nossos braços

 

Não veem a mim

Nos vendem conforto, nos vendem esperança

Para nós não resta início meio e fim

Perdemos nosso tino

Homens e mulheres desumanos

Tutelados por conglomerados cinza

Escarnecem de nossos rostos

Mesmo assim agradecemos.

Pois então,

goze de seu progresso

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Asa

 

Não há diferença entre mim e ti

Nosso ser cintila nas entranhas do mundo, outras desistem

Olhe para as circunstâncias ao redor de si

Inexiste barreiras entre artista e nós

Aqueles são munidos de algo, plateia

Não sentam, tampouco esperam

Encontram o simples acaso, um palco para sua ideia

Bruno Barbosa

Bruno Barbosa, advogado e escritor amador nascido e residente em Paraisópolis – Minas Gerais. Escreve desde sempre, mas só agora vem publicando seus romances e poemas.

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