MÁRCIA DA LUZ LEAL – 7 poemas
MÁRCIA DA LUZ LEAL – 7 poemas

MÁRCIA DA LUZ LEAL – 7 poemas

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Última pétala

 

Como brincadeira usava as pétalas,

Desfazia-se,

Sou amada,

Não sou amada,

Sou amada,

Não sou amada…

Última pétala.

Resposta supostamente esperada:

NÃO SOU AMADA!

Tudo premeditado,

Destino atroz,

Vida inconformada.

Agruras de uma pobre alma que insiste …

Em amar e não ser amada!

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Promessas

 

Prometeu não magoá-la,

Prometeu cuidá-la,

E assim ela refez-se.

Crendo em promessas,

Já que pelo amor ela tinha pressa.

Hoje, sente-se destroçada,

Arranhaduras e rachaduras povoam o seu ser.

Promessas mais uma vez descumpridas,

Ilusões vividas!

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Apneia

 

Em momentos de tédio busca fôlego nas palavras,

Nessa apneia descompassada, mergulha em busca de encantamentos.

Florescem assim, poesias…

Respira o odor inebriante do sentimento denominado: Amor!

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Gesso

 

Passava horas e horas em silêncio,

Fazia tal façanha constantemente.

Incredulidade da alma,

Provedora da calma.

Atributos contraídos desde o feto.

Seguiu taciturno uma vida inteira.

Embalando seus sonhos…

Sonhos estes, engessados no vão de cada destino!

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Sobremesa

 

Suas palavras eram cortantes,

Sempre demorava a digeri-las!

Entre soluços e nós na garganta,

Passava as noites em claro,

Na tentativa de preencher o vazio ardente no estômago,

Preenchia-o com palavras amargas e indigestas,

As mesmas envenenavam seu âmago,

Como vidro moído,

Mesclados a uma saborosa sobremesa pérfida!

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Modéstia

 

Seu eu fosse um homem se apaixonaria por mim mesma,

Repetia tal frase incessantemente,

Ria descaradamente,

Sua modéstia não possuía censura,

Cruz, credo!

Distraia-se sem propósitos!

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Demência

 

Temia perder-se de si mesma,

Via casos na família,

Parentes que não mais se reconheciam.

Esquecidos e dizimados do seio existencial.

Singulares fatos não mais lembrados,

Rotinas que se repetiam cotidianamente,

Hoje não passam de memórias adormecidas!

Histórias murchas e ressequidas.

– Quem é você?

Quem sou eu?

Não me lembro, são as frases mais ditas.

Fazer-se entender e compreender tornou-se sôfrego e lamurioso.

O viver para contar perdeu-se na memória demente,

Recordar é viver perdeu-se na vaga memória.

Nem chegada, nem partida,

Letargia do pensamento,

Ausência de sentimentos,

Perdeu-se de si,

Perdeu-se da alma,

Experiências não mais relatadas,

Poda da existência, memórias arquivadas.

Márcia da Luz Leal

Márcia da Luz Leal tece sua poesia em um multiverso de saberes. Sua jornada é um mapa lírico que navega com igual profundidade da sintaxe das Letras/Espanhol e da Hotelaria à complexidade da Gestão Ambiental. Mestre em Políticas Públicas e Doutora em Desenvolvimento Rural Sustentável, a autora constrói pontes sólidas entre a academia e a vivência do campo. Essa vasta experiência se materializa em obras essenciais como “Lacunas da Existência” e “Mulheres que Transformam: Vozes e Retratos da Sustentabilidade“, onde a autora traduz, com rara sensibilidade, os saberes técnicos e os depoimentos humanos em pura arte literária.

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