DARLAN DOS SANTOS – 5 poemas
DARLAN DOS SANTOS – 5 poemas

DARLAN DOS SANTOS – 5 poemas

N - Logo - separador

Para Malala Yousafzai

 

As crianças em casa, assistem na televisão

As crianças em Gaza, sem casa

Elas já não se comovem,

As crianças em casa, aprenderam desde cedo…

Ou melhor esqueceram: a diferença

Entre a morte e o genocídio

 

Diante da tv tudo é fragmento

Se não de corpos, de prédios, de coisas…

De pensamento!

 

As crianças em casa

Diante da tv desaprenderam a pensar

As crianças em Gaza não tiveram…TEMPO.

Foi mais rápida, a autoritária

Ave carniceira da morte!

 

Somos todos crianças…

Não tivemos casa, amor, nem sorte…

Sem passaporte nem nome

Atravessamos muros e mares

 

Passamos por cima de nós mesmos

Para sobreviver…

E desaprendemos a pensar

E nesse desaprendizado frágil

Nos esquecemos de amar!

 

Eu, assim como Martin Luther King…

Sonho! com o dia em que todas as crianças poderão sonhar!

 

Daqui de casa até Gaza poucas léguas são de distância

No meu país também se morre de fome e diante da tv

Sob a globalização também nos tornamos miseráveis

Filhos bastardos de uma terra que nunca foi nossa

Ela até foi nossa mas nós ainda não éramos nós…

 

Sonho com um dia em que todos…

Levantaremos juntos, contra a injustiça

Não haverá mais polícia nem exército:

Deus, Oxalá, Buda, Tupã e Alá…

Reinarão juntos sobre a terra

E nenhum de seus filhos será esquecido…

 

E tu? Que me lês? Sonha com o que?

N - Logo - separador

Meu coração pescador

 

Meu coração pescador

Quer encontrar o teu que é do mar

Meu coração selvagem

Quer te encontrar, em alto mar

Meu coração pescador

Foje da dor, quer te beijar

No meio das águas, em alto mar

Meu coração que é de flor

E meu corpo que é selvagem

Quer te encontrar na beira do mar

De lá até Salvador é todo teu o meu amor

N - Logo - separador

Francisco

 

Meu coração pescador

Foge da dor…

Meu corpo mar…

Quer te encontrar

Como as ondas

A te molhar

Teu coração caçador

Palpita…

Como ave de rapina

Teu corpo lobo

Me alucina

No meio da noite

Meu corpo e o teu

É a minha sina

Então vem e me assassina…

Me mata mesmo

Me mata!

Para que eu possa

Nascer de novo

Por entre as pedras

Na Mata Atlântica

Serra da Ibiapaba.

N - Logo - separador

Amor(a)

 

A amora de tanto amor

Tornou-se doce

De tão doce, caiu

E de tanto cair

Morreu..

Pisoteada por um transeunte

Desatento ao seu amor.

N - Logo - separador

Terça-feira

 

O sol me atravessa o peito

E encontra o meu coração

Encontram-se e se confundem

A chama revolucionária da transformação

E o fogo primitivo da vida

Num só corpo: o meu.

Darlan dos Santos

Darlan dos Santos Pereira, tem vinte e três anos de idade sendo que desde os seus quinze anos se dedico formalmente às artes. Seja nas artes cênicas ou na escrita através da publicação dos seus textos em antologias, concursos literários, rodas de poesia e saraus, sua arte se manifesta carregada de um discurso a partir do lugar de quem sempre questiona: “Quem sou? Quem somos? De onde vim/viemos? Para onde quero/queremos ir/chegar?” tudo isso o interessa e  importa muito como artista. Atualmente, vivo no centro de Porto Alegre, numa ocupação do movimento sem-teto, onde também trabalho na fundação de um ponto de cultura: a Garagem da Cidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *