KLEBER LUIS ANTÔNIO PINHEIRO – 3 poemas
KLEBER LUIS ANTÔNIO PINHEIRO – 3 poemas

KLEBER LUIS ANTÔNIO PINHEIRO – 3 poemas

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Sob a Chuva Púrpura

 

Não quis ferir o que era ternura,
nem dissolver teu riso na amargura.
Apenas quis tocar o instante raro
em que o amor se despe — e é claro.

 

Ficamos nus diante do tempo:
tu, brisa; eu, desalento.
E o que restou de nós — cor e vento —
chorou lilás sobre o firmamento.

 

Choveu roxo nas veias do dia,
como se o céu sangrasse poesia.
Cada gota era um nome que não disse,
um perdão que nunca te pedi — e ainda existe.

 

Não busco retorno, nem recomeço:
só a lembrança do que foi excesso.
Talvez amar seja isso — arder sem fim,
arder no outro até o fim de mim.

 

Agora o mundo é brando e lento,
o sol é véu, a dor, argumento.
E quando chove, penso: enfim,
a chuva púrpura ainda cai em mim.

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O Som das Cores

 

Havia um som por trás da cor,
um grito mudo — o som do amor.
Não era voz, nem melodia,
era o eco de quem partia.

 

O tempo escorreu pelas nossas mãos,
feito tinta manchando ilusões.
E o que era céu virou espelho,
onde o passado dorme vermelho.

 

Amar é ver o invisível em queda,
é tocar o fim com a alma aberta.

E quando a dor se veste de flor,
descobrimos que a cor é dor.

 

Hoje, as lembranças brilham lilás,
como brasas que o tempo não faz.
Há beleza em perder devagar,
há eternidade no verbo amar.

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O Último Poema Antes da Chuva

 

Se eu soubesse o que viria depois,
teria guardado o riso de nós dois.
Mas o destino, com suas mãos discretas,
recolheu o sol das janelas abertas.

 

Agora escrevo o que o silêncio dita,
cada verso é uma ferida bendita.
E o que era promessa, virou canção,
que insiste em pulsar dentro da solidão.

 

O amor — esse incêndio que não termina —
queima por dentro e purifica.
Não é consolo, é tempestade,
não é partida — é eternidade.

 

Quando enfim chover, e o mundo dormir,
talvez teu nome volte a florir.
E se o céu for lilás outra vez,
que a chuva nos lave — e nos desfaça de vez.

Kleber Luis Antônio Pinheiro
Kleber Luís Antônio Pinheiro, 46 anos, nascido em São Paulo e radicado em Taquara (RS), é poeta e autor de “A Vida Secreta de Meus Objetos Domésticos”. Em sua escrita, transforma objetos cotidianos em metáforas existenciais e utiliza a poesia como ferramenta de ativismo urbano. Sua obra cruza a intimidade doméstica com a denúncia social, com destaque para o combate ao feminicídio e à violência doméstica. Entre versos e prosas poéticas, constrói uma linguagem em que a beleza não se afasta da dor, mas a ressignifica. Publica seus textos no Instagram e participa de concursos literários, buscando, em cada poema, a urgência de quem escreve para não se calar.

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