Caro amigo desconhecido, não sei quantos anos você tem, onde mora, qual língua você fala, mas quero lhe pedir que fique, fique nesta leitura e me dê a mão, leia este texto com atenção e carinho e amor, não quero pregar a verdades absolutas só quero lhe contar o que eu vi com os olhos da minha alma.
Hoje tenho 30 anos, para alguns poderá ser muito tempo e para outros pouquíssimo tempo, mas daqui onde estou, do ponto desta montanha escalada ano após ano, já consigo contemplar a paisagem. Não sei se você, querido amigo, já desistiu da vida ou se ainda está tentando vivê-la, se segue cego um caminho já traçado por outros, ou se está a abrir seus próprios caminhos. Mas, quando perceber que a tarde estiver chegando, e o Sol estiver a fazer a sua despedida toda laranja e rosa, pare o que estiver fazendo e admire os caminhos que o Astro Rei está a fazer ao percorrer a Terra, esta já sedenta pelo seu descanso. Sinta o calor no peito, o brilho e o espetáculo do Céu em seu couro e dança, ouça os pássaros e as mensagens que eles lhe trazem, tire seus calçados, toque na grama, na lama, na areia, nas pedras, deixe seus pés serem os olhos de sua alma.
E quando as cigarras começarem a cantar, preste atenção! Para as musas toda a contemplação.
Não se envergonha por sentir, e se por um acaso uma pequena lágrima vir aos teus olhos, deixa-a rolar , isto é sinal de que ainda há vida pulsando dentro de você.
Se puder, não perca a chance de comer bem uma boa comida, mas também encontre sabor naquilo que é simples! Se quiser, beba um bom vinho ou uma cerveja gelada, se tiver controle sairá bem.
Tenha boas conversas se possível, as longas sobre assuntos diversos são os mais interessantes.
Ria! Não tenha medo que lhe achem tolo, os tolos são os mais felizes, afinal.
Não se preocupe tanto com o tempo, mas também não o subestime, ele é Senhor, Mestre, não tem como impedi-lo, contudo, poderá aprender muito com ele.
E se na manhã do dia seguinte ainda houver névoa e seus dedos estiverem rígidos pelo frio, creia que logo mais o Sol vigorará e te esquentará, da alma aos ossos, da sua pele até o último fio de cabelo.
Então continue, sempre! Continue…
Posso estar falando bobagens, mas é o que eu tenho a lhe dizer neste momento, não são regras ou verdades absolutas, mas são as minhas contemplações.
Fique bem!
Da sua,
Amiga desconhecida.

Elis Campos vive em Silva Jardim desde que nasceu, é especialista em Leitura e Produção de Textos pela UFF. Cursa Mestrado em Literatura Brasileira e Teoria Literária também pela UFF, é graduada em História pela UERJ. Em 2022, publicou o seu primeiro romance de ficção, intitulado Tiê Sangue, e em 2023 publicou em formato e-book a trilogia poética do Amor, da Paixão e da Fúria, intituladas: O amor morno me enjoa, Carne Viva e Fúria. Em 2024 publicou seu quinto livro, Às mãos da Cigana Vermelha, de Contos e Poesias, pela editora TAUP.

![ELIS CAMPOS – Carta a um amigo desconhecido [crônica]](https://revistanavalhista.com/wp-content/uploads/2026/01/IMG-20250104-WA0085.jpg)